Paulo escrevendo.

Paulo escrevendo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

24º - Questionamento feito a Paulo.

24° - Você já teve problema com a justiça? Já teve que comparecer diante do tribunal?

Em Corinto, pressionado pelos judeus, Paulo teve que comparecer diante do tribunal romano, onde Galião, irmão de Séneca, era pro cônsul. Este deu ganho de causa a Paulo contra os judeus (cf. At 18,12-16 "Sendo Galião pro cônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram:13. Este homem persuade os ouvintes a (adotar) um culto contrário à lei.14. Paulo ia falar, mas Galião disse aos judeus: Se fosse, na realidade, uma injustiça ou verdadeiro crime, seria razoável que vos atendesse.15. Mas se são questões de doutrina, de nomes e da vossa lei, isso é lá convosco. Não quero ser juiz dessas coisas.16. E mandou-o sair do tribunal.")
Em Jerusalém, a pedido do centurião romano, Paulo teve que comparecer diante do tribunal dos judeus, o Sinédrio (cf. At 22,30 - " No dia seguinte, querendo saber com mais exatidão de que os judeus o acusavam, soltou-o e ordenou que se reunissem os sumos sacerdotes e todo o Grande Conselho. Trouxe Paulo e o mandou comparecer diante deles."). Foi nessa ocasião que ele provocou um conflito entre os membros do próprio tribunal ao dizer que estava sendo julgado por sua fé na ressurreição (cf. At 23,6-7 "Paulo sabia que uma parte do Sinédrio era de saduceus e a outra de fariseus e disse em alta voz.: Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos é que sou julgado. . Ao dizer ele estas palavras, houve uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e dividiu-se a assembleia.") Desse modo, jogou os fariseus contra os saduceus. Os saduceus achavam a fé na ressurreição um absurdo. Assim, Paulo conseguiu impedir que fosse condenado. Nem houve julgamento (cf. At 23, 8-10 "(Pois os saduceus afirmam não haver ressurreição, nem anjos, nem espíritos, mas os fariseus admitem uma e outra coisa.)9. Originou-se, então, grande vozearia. Levantaram-se alguns escribas dos fariseus e contestaram ruidosamente: Não achamos mal algum neste homem. (Quem sabe) se não lhe falou algum espírito ou um anjo...10. A discussão fazia-se sempre mais violenta. O tribuno temeu que Paulo fosse despedaçado por eles e mandou aos soldados que descessem, o tirassem do meio deles e o levassem para a cidadela.") Levado para Cesaréia, Paulo teve que comparecer diante de Félix, o governador romano, que protelou o assunto e o deixou preso, sem julgamento, durante dois anos (cf. At 24,22-27 " Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão.23. Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.24. Passados que foram alguns dias, veio Félix com sua mulher Drusila, que era judia. Chamou Paulo e ouvia-o falar da fé em Jesus Cristo.25. Mas, como Paulo lhe falasse sobre a justiça, a castidade e o juízo futuro, Félix, todo atemorizado, disse-lhe: Por ora, podes retirar-te. Na primeira ocasião, chamar-te-ei.26. Esperava outrossim, ao mesmo tempo, que Paulo lhe desse algum dinheiro, pelo que o mandava chamar com frequência e se entretinha com ele.27. Decorridos dois anos, Félix teve por sucessor a Pórcio Festo. Querendo, porém, agradar aos judeus, deixou Paulo na prisão.") Festo o novo governador, quis que Paulo fosse julgado no tribunal de Jerusalém (cf. At. 25,9 "Mas Festo, querendo agradar aos judeus, disse a Paulo: Queres subir a Jerusalém e ser julgado ali diante de mim?") Foi nessa ocasião que Paulo apelou para o tribunal de Cesar em Roma (cf At. 25, 10-11 "Paulo, porém, disse: Estou perante o tribunal de César. É lá que devo ser julgado. Não fiz mal algum aos judeus, como bem sabes.11. Se lhes tenho feito algum mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer. Mas, se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém tem o direito de entregar-me a eles. Apelo para César!") Ele sabia que a proposta de fazer o julgamento em Jerusalém era apenas um pretexto para poder assassina-lo numa emboscada durante a viagem para lá ( cf. At 25,3 " com insistência, como um favor, que o mandasse de volta para Jerusalém. É que queriam armar-lhe uma emboscada para o assassinarem no caminho."). Em Roma, ele continuou preso, por mais dois anos, aguardando o julgamento que, ao que tudo indica, não aconteceu por falta de provas (cf. At 28, 30-31 "30. Paulo permaneceu por dois anos inteiros no aposento alugado, e recebia a todos os que vinham procurá-lo.31. Pregava o Reino de Deus e ensinava as coisas a respeito do Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade e sem proibição.")

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

23° - Questionamento Feito a Paulo.

23° - Você já teve problemas com a polícia? Sofreu alguma perseguição?



Muitas vezes! Desde a sua primeira viagem missionária, ou melhor, desde o dia de sua conversão, Paulo encontrou resistência, era perseguido e molestado. Para impedir e dificultar a ação de Paulo, seus adversários recorriam à força da polícia, ao poder das autoridades ou a outros meios de pressão: em Damasco (cf. At. 9,23-24 - "Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo.24. Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Guardavam eles as portas de dia e de noite, para matá-lo.") em Jerusalém. (cf. At. 9,29 - " Falava também e discutia com os helenistas. Mas estes procuravam matá-lo."), em Chipre (cf At. 13,8 - "Mas Élimas, o Mago - pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul.") em Antioquia da Pisídia (cf. At 13,50 - " Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.") , em Icônio (cf. At 14,5 - "Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar,"), em Licaônia (cf At. 14,19 - " Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade."), em Filipos (cf At. 16,22 - " Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.), em Tessalônica (cf. At. 17, 5-9 - "Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.6. Mas como não os achassem, arrastaram Jasão e alguns irmãos à presença dos magistrados, clamando: Estes homens amotinam todo o mundo. Estão agora aqui! E Jasão os acolheu!7. Todos eles contrariam os decretos de César, proclamando outro rei: Jesus.8. Assim excitavam o povo e os magistrados.9. E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir."), em Bereia (cf At 17,13 - "Mas os judeus de Tessalônica, sabendo que também em Beréia tinha sido pregada por Paulo a palavra de Deus, foram para lá agitar e sublevar o povo."), em Corinto (cf. At 18 12 - "Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram:,"), em Éfeso (cf. At 19,23-40 -" 23. Por esse tempo, ocorreu um grande alvoroço a respeito do Evangelho.24. Um ourives, chamado Demétrio, que fazia de prata templozinhos de Ártemis, dava muito a ganhar aos artífices.25. Convocou-os, juntamente com os demais operários do mesmo ramo, e disse: Conheceis o lucro que nos resulta desta indústria.26. Ora, estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas quase em toda a Ásia, esse Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, dizendo que não são deuses os ídolos que são feitos por mãos de homens.27. Daí não somente há perigo de que essa nossa corporação caia em descrédito, como também que o templo da grande Ártemis seja desconsiderado, e até mesmo seja despojada de sua majestade aquela que toda a Ásia e o mundo inteiro adoram.28. Estas palavras encheram-nos de ira e puseram-se a gritar: Viva a Ártemis dos efésios!29. A cidade alvoroçou-se e todos correram ao teatro levando consigo Caio e Aristarco, macedônios e companheiros de Paulo.30. Paulo queria apresentar-se ao povo, mas os discípulos não o deixaram.31. Até alguns dos asiarcas, que eram seus amigos, enviaram-lhe recado, pedindo que não se aventurasse a ir ao teatro.32. Todos gritavam ao mesmo tempo. A assembleia era uma grande confusão e a maioria nem sabia por que se achavam ali reunidos.33. Então fizeram sair do meio da turba Alexandre, que os judeus empurravam para a frente. Alexandre, fazendo sinal com a mão, queria dar satisfação ao povo.34. Mas quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram pelo espaço de quase duas horas: Viva a Ártemis dos efésios!35. Então o escrivão da cidade (veio) para apaziguar a multidão e disse: Efésios, que homem há que não saiba que a cidade de Éfeso cultua a grande Ártemis, e que a sua estátua caiu dos céus?36. Se isso é incontestável, convém que vos sossegueis e nada façais inconsideradamente.37. Estes homens, que aqui trouxestes, não são sacrílegos nem blasfemadores da vossa deusa.38. Mas, se Demétrio e os outros artífices têm alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos e aí estão os magistrados: institua-se um processo contra eles.39. Se tendes reclamação a fazer, a assembleia legal decidirá.40. Do que se deu hoje, até corremos risco de sermos acusados de rebelião, porque não há motivo algum que nos permita justificar este concurso."), em Jerusalém (cf At 21, 27-30 - "27. Ao fim dos sete dias, os judeus, vindos da Ásia, viram Paulo no templo e amotinaram todo o povo. Lançando-lhe as mãos,28. gritavam: Ó judeus, valei-nos! Este é o homem que por toda parte prega a todos contra o povo, a lei e o templo. Além disso, introduziu até gregos no templo e profanou o lugar santo.29. É que tinham visto Trófimo, de Éfeso, com ele na cidade, e pensavam que Paulo o tivesse introduzido no templo.30. Alvoroçou-se toda a cidade com grande ajuntamento de povo. Agarraram Paulo e arrastaram-no para fora do templo, cujas portas se fecharam imediatamente."). Ele mesmo informa: "Fui flagelado três vezes. Cinco vezes recebi quarenta golpes menos um" (2Cor 11,25). Uma vez a policia salvou a vida de Paulo. Foi em Jerusalém, quando ele corria perigo de ser linchado pela multidão na praça do Templo (cf. At. 21,31-32 - " 31. Como quisessem matá-lo, o tribuno da corte foi avisado de que toda Jerusalém estava amotinada.32. Ele tomou logo soldados e oficiais e correu aos manifestantes. Estes, ao avistarem o tribuno e os saldados, cessaram de espancar Paulo.").



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

22° - Questionamento Feito a Paulo.

22° - Como cidadão romano, você chegou a prestar serviço militar?



Um cidadão romano era obrigado a prestar serviço militar nas legiões romanas. Mas é provável que Paulo tenha ficado isento, pois, como já vimos, os judeus conseguiram o privilégio da isenção do serviço militar por vários motivos, todos religiosos:
  1. O serviço militar dificultava a observância do sábado;
  2. Impedia a observância da lei da pureza e dos costumes alimentares próprios;
  3. Exigia dos soldados o culto ao imperador, proibido aos judeus em nome da sua fé em Deus.

sábado, 11 de dezembro de 2010

21º - Questionamento Feito a Paulo.

21° - Você é judeu e cidadão romano. Como é que consegue combinar essas duas coisas?



Não era fácil combinar essas duas coisa. O cidadão romano tinha obrigação de participar do culto ao imperador, coisa que era absolutamente proibida aos judeus em nome de sua fé em Deus. Mas os judeus, ao longo dos séculos, conseguiram achar uma forma viável de convivência sem conflito.


Na maioria das cidades do Império, os judeus viviam organizados em associações chamadas Politeuma. Um politeuma era uma associação oficialmente reconhecida pela polis, isto é, pela autoridades da cidade. Um Politeuma possuía certa independência e gozava de certos privilégios. Seus membros registrados podiam fazer valer esse direitos. Os judeus, organizados em politeuma nas várias cidades do Império, lutaram por estes dois objectivos bem precisos: 1° - De um lado, queriam a plena integração de ses membros cidadãos; assim teriam direito aos privilégios dos "cidadãos da cidade", sobretudo com relação a isenção de taxas e dos impostos. 2º - Do outro queriam a plena liberdade para praticarem a própria religião; a liberdade religiosa que eles pleiteavam consistia no seguinte: não ser obrigado a trabalhar no sábado; ser isento de serviço militar; não participar do culto ao imperador; ter direito a seguir seus próprios costumes alimentares; pautar suas vidas conforme suas próprias leis. Desde o tempo de Julio Cesar, entre 47 e 44 a.C., os judeus foram favorecidos com esses privilégios como recompensa pelos serviços prestados ao Império. Por isso mesmo os judeus da Diáspora, contrariamente aos da Palestina, não tinham tanto problema de convivência com os romanos. Tinham até uma certa simpatia pelo Império e sua organização.
Em alguns lugares, os privilégios especiais dos judeus provocaram a animosidade da população local contra eles, sobretudo por causa dos seus costumes alimentares diferentes e por causa de sua religião, que não aceitava o culto ao Imperador e às divindades locais. Uma ou outra vez, surgiram alguns conflitos com o Império. Várias vezes, os judeus tentaram recorrer à autoridade romana contra os cristãos (cf. At. 13,8.50 - 8. Mas Élimas, o Mago - pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o pro cônsul.50. Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.).

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

20° - Questionamento Feito a Paulo.

20° - Qual a sua nacionalidade? Mudou alguma vez?

Naquele tempo não era como hoje. Hoje em dia, a nacionalidade de alguém tem a ver com sua pertença a uma nação-estado que concede ou nega a cidadania e passaporte a ses membros. Naquele tempo, a nacionalidade tinha a ver com a pertença da pessoa a uma nação-raça. Ou seja, Paulo, apesar de ser natural de uma cidade helenista na Ásia Menor, conservava a consciência muito clara de ser da raça de Israel (cf. Fl - "circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu;"), descendente de Abraão (cf. 2Cor 11,22 - " São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu.), da tribo de Benjamin (cf Rm 11,1 - "Pergunto, então: Acaso rejeitou Deus o seu povo? De maneira alguma. Pois eu mesmo sou israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim.), hebreu (cf. 2Cor 11,22 - "São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu.'), judeu (cf. At.22,3 - "Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da
lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje.). Ele dizia: "Vivia no meio da minha nação aqui em Jerusalém." (At. 26,4). E nesse ponto, apesar de tantas viagens e mudanças, mesmo apesar de sua conversão para Cristo, ele nunca mudou de nacionalidade, isto é, nunca deixou de ser judeu. Nunca esqueceu sua origem.
No entanto, a experiência de Cristo ressuscitado na sua vida fez com que ele, sem deixar de ser judeu, percebesse os limites da sua nacionalidade. Para ele, ser da raça de Israel já não era titulo de privilégio diante de Deus, pois, "tanto os judeus como os gregos estão debaixo do pecado" (Rm 3,9). Todos, indistintamente, necessitam da graça que vem de Jesus Cristo (cf. Rm 3,23-24 - " com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo.).já não mais distinção entre judeu e grego (cf Rm 10,12 - " Pois não há distinção entre judeu e grego, porque todos têm um mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam,") Paulo se fez judeu com os judeus, sem lei com os sem lei, para ganhar a todos para Cristo(cf 1Cor,23-23 - ". Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, fiz-me como se eu estivesse debaixo da lei, embora o não esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da lei.21. Para os que não têm lei, fiz-me como se eu não tivesse lei, ainda que eu não esteja isento da lei de Deus - porquanto estou sob a lei de Cristo -, a fim de ganhar os que não têm lei.22. Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos.23. E tudo isso faço por causa do Evangelho, para dele me fazer participante."). Em Cristo todos são iguais (cf. Gl 3,28 - "Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

19º- Questionamento Feito a Paulo.

19º - Você tem algum problema de comunicação? Como resolve?

Paulo deve ter tido muitos problemas de comunicação por causa da grande variedade de línguas faladas pelos diferentes povos do Império Romano. Ele falava em grego mas nem todos os ouvintes entendiam grego. Seria como falar em português aos índios do interior de Roraima. Nem todos os índios entendem o português.
Assim na região dos gálatas, no centro da Ásia Menor, a língua materna do povo era o dialeto gálico (daí o nome gálatas), língua parecida com o francês (a França era chamada de Gália). Fazia pouco tempo que os gálatas haviam migrados da Europa para aquela região da Ásia Menor. Muitos deles não entendiam nada do grego de Paulo. Paulo resolvia o problema da falta de comunicação com gestos e desenhos. Pois ele lembra na carta: "Diante de vocês foi desenhada a imagem do Cristo crucificado" (Gl. 3,1)
Mas isso nem sempre resolvia o problema com tanta facilidade. Certa vez, em Listra, na Licaônia da Ásia Menor, depois da cura de um paralítico por Paulo e Barnabé, o povo exclamou: "Os deuses em forma humana vieram até nós!"(At 14,11). O povo falava em língua Licaônica, que Paulo não entendia. Por isso não percebeu que o povo estava querendo prestar-lhe um culto divino e oferecer-lhe um bezerro como sacrifício de louvor e ação de graças. Foi um equivoco muito desgradável. Provavelmente foi por meio de um intérprete que conseguiram desfazer o mal-entendido (Cf. At. 14,14.18 -"14-Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:18-"Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

18°- Questionamento feito a Paulo.

18° - Como é que você faz para se comunicar com tanta gente diferente? Quantas línguas você fala e onde as aprendeu?
Paulo falava o grego (cf. At. 21,37-Quando estava para ser introduzido na fortaleza, Paulo perguntou ao tribuno: É-me permitido dizer duas palavras? Este respondeu: Sabes o grego!)
aprendido em Tarso, sua cidade natal, e escrevia-o correctamente, como o comprovam suas cartas. O grego era a língua comum do comércio e do império, como o inglês hoje em dia. Era a língua do povo das cidades.
Paulo falava também hebraico (cf At. 21,40 - O tribuno lho permitiu. Paulo, em pé nos degraus, acenou ao povo com a mão e se fez um grande silêncio. Falou em língua hebraica do seguinte modo:)
língua na qual foi escrita a maior parte do Antigo Testamento e que se usava quase exclusivamente na celebração da Palavra nas sinagogas. Falava ainda o aramaico que era a língua falada pelo povo da Palestina. Não se sabe se ele falava também o latim dos romanos de Roma.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

17° - Questionamento feito a Paulo.


17º - Você, que viajou tanto, quais os países que visitou e qual seu domicilio actual?

Naquele tempo não havia países como hoje. Havia o grande império romano, que era como um mosaico enorme, feito de reinos, povos, cidades tribos. Cada pedrinha do mosaico mantinha sua autonomia relativa e suas próprias leis, mas todas juntas estavam integradas e organizadas dentro dos interesses comuns do grande Império, a saber: pagar os impostos e as taxas; não fazer guerras entre si; fornecer soldados para o exército romano; reconhecer a autoridade divina do Imperador. Por esse Império imenso Paulo andou, viajando por mar e por terra. Andou pelas estradas imperiais, apé, ao todo mais de 15 mil quilometros!
Pelo que se sabe, de todas as épocas da Antiguidade, a época em que Paulo vivia era a mais propicia para viajar. Em 63 A.C., pouco antes de invadir a Palestina o general romano Pompeu tinha derrotado e eliminado oa piratas que tornava perigosas as viagens pelo Mar Mediterrâneo. Em 31 a.C., após a vitória de Otaviano sobre Marco Antonio, tinha começado a Pax Romana, que favorecia a paz nas estradas boas consertadas regularmente e mantidas em bom estado de conservação. A cada trinta quilómetros (um dia de viagem), costumava haver uma hospedaria que oferecia segurança aos viajantes contra os ladrões e outros perigos.
Ora os cristãos souberam utilizar essa rede de estradas para a difusão do Evangelho. Eles viajavam muito entre as várias cidades. Estabeleceu-se uma rede de comunicação entre as comunidades. Vale a pena ler atentamente os Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo e fazer um levantamento minucioso das viagens dos primeiros cristãos: quem viajava; de onde para onde; com que meios; por quais estradas; com que finalidade etc.
Paulo nasceu em Tarso na Cilícia da Asia Menor, criou-se em Jerusalém na Palestina, foi enviado a Damasco na Síria. Depois de sua conversão, andou pela Arábia, Passando por Jerusalém, voltou para Tarso e, alguns anos depois, veio mora na comunidade de Antioquia na Síria. De lá foi enviado para a missão e, junto com os companheiros, andou por muitas regiões sem parar: Chipre, Panfilia, Psidia, Licaônia, Galácia, Mísia, Macedónia, Acaia<>
O domicilio natural de Paulo era Tarso. Mas depois que tomou consciencia de sua missão, não teve mais domicilio fixo. Era um peregrino se repouso. não vivia em canto nenhum, e sentia em casa em todo canto. (cf 1Cor 4,11 - " Até esta hora padecemos fome, sede e nudez. Somos esbofeteados, somos errantes,").


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

16° - Questionamento feito a Paulo.

16° - Quais as funções e tarefas que você já exerceu na sua vida?

Sendo um homem de participação ativa, Paulo recebeu e exerceu muitas tarefas e funções. Sinal de que era uma pessoa com qualidades de liderança. Percorrendo rapidamente os Atos dos Apostolo e as cartas, é possível encontrar dez tarefas e funções de que Paulo foi incumbido. Uma leitura mais atenta poderá descobri outras. Eis a lista:

  1. Testemunha oficial no apedrejamento de Estêvão (cf. At 7,58; 8,1 -" 1.E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão. Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judeia e de Samaria, com exceção dos apóstolos.")
  2. Provavelmente, membro do Sinédrio, isto é, do Supremo Tribunal de Jerusalém.
  3. Emissário do Sinédrio para Damasco em vista da perseguição dos cristãos (cf. At 9,2; 22,5: 26,12 -" 12. Nesse intuito, fui a Damasco, com poder e comissão dos sumos sacerdotes.") 30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.
  4. Delegado da comunidade de Antioquia para Jerusalém (cf. At. 11,30 -"30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.")
  5. Delegado da mesma comunidade de Antioquia para a missão em Chipre e na Ásia menor (cf At 13,2-3 - "2. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.3. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.")
  6. Delegado dos Cristãos convertidos do paganismo para o Concilio Ecuménico de Jerusalém (Cf. At. 15,2- "2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.")
  7. Delegado oficial do Concilio junto às comunidades cristãs do mundo pagão (cf. At. 15, 22.25 - "22. Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos.25. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,")
  8. Responsável oficial pela evangelização dos pagãos (cf. Gl 2,7-9 -"7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circunciso a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circunciso, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo:")
  9. Organizador e portador da grande coleta feita nas comunidades cristãs do mundo pagão em beneficio dos pobres de Jerusalém, imitando assim o costume judeu dos dízimos e da ligação estreita com a igreja mãe (cf. Gl 2,10; Rm 15,25-28; 2Cor 8-9; 1Cor 16,1-4; At 24,17- "17. Depois de muitos anos (de ausência) vim trazer à minha nação esmolas e oferendas (rituais).")
  10. A tarefa mais importante: "Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor 9,16).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

15º - Questionamento Feito a Paulo.

15º - E o que você fez com seu direito de cidadão? Como você participa da vida pública de sua cidade? como você exerce seus direitos?

Como cidadão romano, Paulo gozava de alguns "privilégios." Ele não podia ser flagelado, nem ser crucificado. Em caso de necessidade, podia apelar para o Supremo Tribunal em Roma, para César. Três ou quatro vezes, Paulo recorreu a esses privilégios: em Filipos, quando foi preso e flagelado sem processo formal (cf At 16,37 -"Mas Paulo replicou: Sem nenhum julgamento nos açoitaram publicamente, a nós que somos cidadãos romanos, e meteram-nos no cárcere, e agora nos lançam fora ocultamente... Não há de ser assim! Mas venham e soltem-nos pessoalmente!") em Jerusalém, quando o centurião quis flagela-lo (cf At 22,25 - "Quando o iam amarrando com a correia, Paulo perguntou a um centurião que estava presente: É permitido açoitar um cidadão romano que nem sequer foi julgado) em Cesareia, quando corria perigo de ser entregue na mão dos judeus e por eles ser assassinado (cf. At 25,3.11 - "3. com insistência, como um favor, que o mandasse de volta para Jerusalém. É que queriam armar-lhe uma emboscada para o assassinarem no caminho. 11. Se lhes tenho feito algum mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer. Mas, se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém tem o direito de entregar-me a eles. Apelo para César!").
Como cidadão de Tarso, Paulo fazia parte da elite da cidade. Cidadão era todo aquele que era reconhecido oficialmente como membro da cidade. Só os cidadãos de uma cidade eram considerados povo (démos) daquela cidade, e só os cidadãos é que podiam participar das decisões com relação ao destino da cidade. Esse tipo de organização chamava-se demo ("povo") + cracia ("governo". Mas, por mais que dissessem que era "governo do povo", na realidade o povo mesmo não participava, pois não participavam os escravos nem os chamados "pelegrinos", isto é, moradores estrangeiros, gente que viera de fora. Participava só uma pequena elite.
Não temos noticia da participação efetiva e direta de Paulo na vida politica ou pública de sua cidade. Mas o que sabemos é que ele participava ativamente na vida e na organização da comunidade a que pertencia. Por exemplo, antes da conversão, ele chegou a ser delegado oficial do Sinédrio para Damasco (cf. At 9,1-2 - "1. Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes,2. e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.) Alguns estudiosos acham que Paulo foi membro do Sinédrio, isto é, do Supremo Tribunal da comunidade judaica. Depois de sua conversão, Paulo participava intensamente da vida das comunidades cristãs a ponto de ser indicado como responsável entre os pagãos ( cf. Gl 2,7-9 -"7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircunciso me era confiada, como a dos circunciso a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circunciso, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo.).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

14° Questionamento Feito a Paulo.

14º - Qual seu salário? É suficiente para viver? Tem outra fonte de renda?



Ao que tudo indica, o salário de Paulo não deve ter sido alto, pois ele tinha que trabalhar "dia e noite" para poder viver sem depender dos outros (cf 1Ts 2,9; 2Ts 3,8- "nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós."). Ele fala de cansaço, provocado pelo trabalho manual (cf 1Cor 4,12- "fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos!). e de "vigílias" (isto é Horas extras) (cf. 2Cor 6,15; 11,27- "Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!) Vivia como "indigente" (cf. 2Cor 6,10- "Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!) .

Um dos motivos do salário insuficiente é o fato de Paulo estar sempre viajando e não ter um domicilio fixo. Por isso, não conseguia montar uma oficina própria com clientela estável, nem criar nome de bom profissional que pudesse atrair os compradores de tendas e outros artigos de couro. Na maioria dos lugares por onde passou, ele deve ter vivido de algum emprego, conseguido numa das oficinas que costumavam ficar perto do mercado.

Em Corinto, teve a sorte de ter encontrado Áquila e Priscila, em cuja oficina conseguiu um emprego (cf At 18,3 - "Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.). Em Éfeso, onde passou três anos, ao que parece, não teve tanta sorte, pois lá escrevia aos corintios: "Fatigamos-nos trabalhando com as próprias mãos"( 1Cor 4,12). Ainda em Éfeso, Paulo "ensinava diariamente na escola de um tal Tiranos" (cf At 19,9 - "Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano.") Um manuscrito antigo, chamado: textus occidentalis, diz que o ensinamento diário era feito "entre a quinta e a décima hora", isto é, entre onze horas da manhã e quatro horas da tarde, ou seja durante a hora do almoço e do descanso. O resto do tempo, ele tinha que trabalhar na oficina, desde cedo da manhã até tarde da noite (cf 1Ts 2,9; 2Ts 3,8).

Outras fontes de renda Paulo não tinha, a ser a ajuda que recebia da comunidade de Filipos (cf. Fl 4,15 - " Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente.") Quando necessário ele sabia fazer a coleta e pedir dinheiro, não para , mas para os outros, os pobres de Jerusalém. Realizava, assim a partilha (cf. 1Cor 16,1-4 - "Quanto à coleta em benefício dos santos, segui também vós as diretrizes que eu tracei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas. Quando chegar, enviarei, com uma carta, os que tiverdes escolhido para levar a Jerusalém a vossa oferta. Se valer a pena que eu também vá, irão comigo.")..

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

13°- Questionamento feito a Paulo.

13° - Paulo por quê você insiste tanto no valor do "trabalho com as próprias mãos"?



Na sociedade helenista, trabalhar com as próprias mãos era visto como trabalho de escravo e impróprio para um homem livre. O ideal da cultura dos gregos era uma vida intelectual sem trabalho manual. Daí que os outros missionários, filósofos e professores ambulantes, cultivando o ideal da época, não trabalhavam com as próprias mão se eram sustentados pela comunidade.

A comunidade por sua vez os acolhia de bom grado, pois via neles um símbolo do Ideal que todos queriam atingir. Embora alimentado por todos e para todos, esse ideal era apenas para uma pequena elite.

Paulo rompe com o ideal cultivado pela sociedade e pela cultura helenista. Pois ele insiste em querer sustentar-se através do trabalho manual: "Vocês sabem como devem imitar-nos: nós não ficamos sem fazer nada quando estivemos entre vocês, nem pedimos a ninguém o pão que comemos; pelo contrário, trabalhamos com fadiga e esforço, noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vocês. Não porque não tivéssemos direito a isso, mas porque nós quisemos ser um exemplo´para vocês imitarem"(2Ts 3,7-9).

Apresentando-se ao povo como um missionário que vive do trabalho de suas próprias mãos, Paulo faz com que o Evangelho entre por uma porta diferente provoque uma ruptura na via do povo e lhe apresente um novo ideal de vida. Ele escreve aos membros da comunidade de Tessalônica: "Empenhem a sua honra em levar uma vida tranquila, ocupando-se das suas próprias coisas e trabalhando com as próprias mãos. Assim levarão uma vida honrada aos olhos dos de fora e não passarão mais necessidades de coisa alguma"(1Ts 4,11-12). Como entender o significado dessas palavras de Paulo?

A grande massa urbana daquele tempo era de escravos. Vivia na necessidade, na pobreza, na escravidão. Foi sobretudo no meio desse povo que surgiam as primeiras comunidades cristãs do mundo helenista( cf. 1Cor 1,26- "Vede, irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres.") O ideal de vida daquela época, alimentado pela ideologia dominante, estava fora do alcance do povo fora de suas possibilidades, pois eram prisioneiros de sua condição de trabalhadores assalariados e escravos. Jamais poderiam subir e alcançar o ideal de uma vida sem trabalho manual. Ora, nesse texto, Paulo não propões um ideal distante, mas faz saber que para ele a saída está neles mesmos: ocupar de suas próprias coisas e trabalhar com suas próprias mãos. Este é o caminho para o povo poder sair da pobreza e chegar a uma situação em que não passarão mais necessidades de coisa alguma. O ideal, a vida honrada, já não é a vida do intelectual que não trabalha com as próprias mãos, mas é a vida do próprio povo trabalhador. Trabalhar com as próprias mãos, que antes era um sinal de escravidão e motivo de vergonha, agora se torna fonte de vida honrada, não só para os membros da comunidade mas até aos os olhos de fora!

Paulo deu exemplo (Cf. 1Ts2,9; 2Ts 3,7-9; At. 20,34-35; 1Cor 4,12-"fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos!").

Ele era um homem livre que não precisava trabalhar como um escravo. Como missionário ambulante, ele poderia ser sustentado pela comunidade, e a comunidade o aceitaria de bom grado. Mas ele recusou esse direito (cf 1Cor 9,15-"Mas não tenho usado de nenhum desses direitos; e nem escrevo isto para reclamá-los. Preferiria morrer a... Mas ninguém me tirará este título de glória.") Fez questão de trabalhar com as próprias mãos. Desse modo,ajudava os irmãos pobres a quebrar a ideologia dominante e a perceber onde estava a fonte da verdadeira honradez. E foi exactamente nesse ponto que Paulo recebeu os maiores ataques dos outros missionários que não chegavam a entender sua atitude e que pensavam mais de acordo com a ideologia dominante (cf. 1Cor 9,1-18; 2Cor 11,7-15).
Resumindo: o trabalho ocupa um lugar centra na vida de Paulo. Através do trabalho, ele se tornou um exemplo vivo e ajudava as comunidades a compreender que era precisamente em sua condição de trabalhadores e escravos que estava a base para poder criar uma situação nova em que o povo já não passasse necessidade.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

12º - Questionamento feito a Paulo.

12° - Paulo, explique-se melhor: depois de convertido para Cristo, o que foi que você fez da profissão que aprendeu? Chegou a exercê-la? Como arrumava emprego?

A entrada de Cristo em sua vida criou para Paulo uma situação nova e diferente, que o obrigou a buscar uma outra maneira de sobreviver. Como que de repente, Paulo foi cortado da comunidade judaica e perdeu o circulo de anizades que tinha entre os judeus, pois eles chegaram ao ponto de querer mata-lo (cf. At. 9,23-"Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo.") e, durante mais de catorze anos, levou uma vida de missionário ambulante, sem domicílio, sem oficina e sem clientela fixa. Como sobreviver nessas condições?
De acordo com o costume dos missionários, professores, filósofos e ambulantes daquela época havia várias alternativas de sobrevivencia. Alguns professores inpunham um preço pelo ensino que davam. Outros, mas bem poucos viviam de esmolas que eles pediam nas praças. A maioria porém, se instalava em alguma casa de familia e recebendo dela até alguma ajuda em dinheiro. Assim, por exemplo, fizera Aristóteles como professor de Alexandre Magno.
Ora, Paulo, por uma questão de princípio, não aceitounenhuma dessas três alternativas. Embora reconhecesse aos outros o direito de receber um salário da comunidade pelo trabalho realizado (cf. 1Cor. 9,14-15- "Assim também ordenou o Senhor que os que anunciam o Evangelho vivam do Evangelho.15. Mas não tenho usado de nenhum desses direitos; e nem escrevo isto para reclamá-los. Preferiria morrer a... Mas ninguém me tirará este título de glória.") ele mesmo fazia questão de não aceitar um salário pelo ensino que dava, pois queria anunciar o evangelho de graça (cf. ICor 9,17-18 "Se o fizesse de minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma missão que me foi imposta. Então em que consiste a minha recompensa? Em que, na pregação do Evangelho, o anuncio gratuitamente, sem usar do direito que esta pregação me confere.). Não queria depender da comunidade nem ser peso pra ela (cf. 1Ts 2,9 - "Vós vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e de nossa fadiga. Trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, pregamo-vos o Evangelho de Deus." ; 2Ts. 3,7-9 -"Sabeis perfeitamente o que deveis fazer para nos imitar. Não temos vivido entre vós desregradamente, nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos direito para isso, mas foi para vos oferecer em nós mesmos um exemplo a imitar." 2Cor. 12,13-14- "Em que fostes inferiores às outras igrejas, senão no fato de que a vós não vos fui pesado? Relevai-me esta injúria!... Eis que estou pronto a ir ter convosco pela terceira vez. Não vos serei oneroso, porque não busco os vossos bens, mas sim a vós mesmos. Com efeito, não são os filhos que devem entesourar para os pais, mas os pais para os filhos." Não aceitava esmola, nem ajuda para si mesmo, a não ser da comunidade de Filipos (cf. Fl 4,15- "Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente."), porque, de certo modo, considerava-se membro fixo daquela comunidade e participava da partilha. Paulo escolheu uma quarta alternativa trabalhar com as próprias mãos (cf. 1Cor 4,12 -" fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos!). E nesse ponto lhe foi de muito proveito a profissão que aprendeu, mas com uma grande diferença: aprendeu a profissão como filho de pai influente e rico, e acabou por exerce-la como operário necessitado, obrigado pelas circunstancias duras da vida a procurar um emprego nas oficinas perto do mercado das grandes cidades.
Cícero, célebre orador e senador romano, dizia:"Uma oficina não tem nada que possa beneficiar um homem livre". Por isso, para um homem livre como paulo, não era fácil conseguir um emprego. Em geral, as grandes oficinas só empregavam escravos por serem mais baratos. Quando um homem livre procurava trabalho em alguma oficina, ele fazia algo que o humilhava. Foi o que aconteceu com Paulo. Ele escreve com ecrta ironia "Terá sido falta minha anunciar-vos gratuitamente o evangelho de Deus humilhando-me a mim mesmo para vos exaltar?" (2Cor 11,7). Procurando emprego nessas condições, Paulo assumia a condição de um escravo:"Mesmo sendo livre eu fiz-me escravo de todos" (1Cor 9,19)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

11° - Questionamento feito a Paulo.

11° - Paulo, de que maneira a conversão para Cristo modificou seus Planos?

Como cidadão de Tarso, cidadão de Roma, aluno do doutor Gamaliel com formação superior, criado e formado muito provavelmente para tomar conta da oficina do pai, Paulo pertencia à elite da sociedade daquele tempo. Tinha diante de si um grande futuro e a possibilidade real de uma brilhante carreira. Mas a entrada de Cristo em sua vida modificou tudo isso!
Ele mesmo diz: "Por causa dele perdi tudo e tenho tudo como esterco para poder ganhar a Cristo e ser achado nele" (Fl 3,8). "O que era lucro, eu o tive como perda por amor a Cristo!" (Fl 3,7). Perdeu tudo! Qual o "tudo" que ele perdeu?
Uma parte do tudo que ele perdeu era o seguinte: a entrada de Cristo em sua vida o tirou de uma posição na sociedade e o colocou em outra, bem inferior. Paulo mudou de classe. Em vez de empregador, dono de uma oficina com seus empregados e escravos, acabou sendo ele mesmo um empregado, um trabalhador assalariado com aspecto de escravo, que mal e mal ganhava o suficiente para poder sobreviver e que dependia da solidariedade dos amigos para não morrer de fome ( Cf. 2Cor. 11,9-"Estando convosco e passando alguma necessidade, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram o que me faltava. Em tudo me guardei e me guardarei de vos ser pesado." 2Ts 3,8 -"nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós.").
A Coversão para Cristo era um lado da medalha. O outro ladoera sua identificação cadavez maior com os pobres, os assalariados, os escravos..

segunda-feira, 26 de julho de 2010

10°- Questionamento feito a Paulo.

10°- Seu pai era rico? TInha grandes negócios?

Paulo fazia questão de dizer que era "cidadão de Tarso" (cf. AT.21,39-"Paulo replicou: Eu sou judeu, natural de Tarso, na Cilícia, cidadão dessa ilustre cidade. Mas rogo-te que me permitas falar ao povo." e "cidadão de Roma" (cf At 16,37; 22,25 - "Mas Paulo replicou: Sem nenhum julgamento nos açoitaram publicamente, a nós que somos cidadãos romanos, e meteram-nos no cárcere, e agora nos lançam foraocultamente... Não há de ser assim! Mas venham e soltem-nos pessoalmente!" e que tinha esse direito não porque o comprou, mas por nascimento (cf. At. 22,28 - "O tribuno replicou: Eu adquiri este direito de cidadão por grande soma de dinheiro. Paulo respondeu: Pois eu o sou de nascimento.". Com outras palavras, recebeu-o do pai. Isso quer dizer que o pai de Paulo não era pobre. Pelo contrário, era da elite da cidade, pois, mesmo sendo judeu, chegiu a apropriar-se do direito de "cidadão de Roma a ponto de poder passar para os filhos!
Alguns intérpretes acham que o pai de Paulo, sendo fabricante de tendas, tenha produzido tentas para o exercito romano, o qual precisava delas para suas numerosas expediçoes militares. Assim eles explicam como Paulo sendo judeu, possa ter recebidoo título de "cidadão de Roma" como um direito hereditário.
Desse modo é provável que Paulo tenha aprendido a profissão de fabricante de tendas não tanto para ter um meio de sobrevivencia mais para poder suceder o pai na condução dos negócios. A conversão para Cristo, porém, modificou todos esses planos!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

9°-Questionamento feito a Paulo.

9°-Além dos estudos que você fez, você aprendeu alguma profissão? Qual e por quê?

Paulo tinha a profissão de fabricante de tendas e de outros objetos de couro (cf. At 18,
3). Alguns exegetas acham que ele tenha aprendido essa profissão durante sua estada em Jerusalém, enquanto estudava aos pés de Gamaliel. Pois, assim dizem, o ideal do bom rabino era ter uma profissão e viver do própio trabalho. Nesse caso, a profissão e o trabalho teriam um papel apenas secundário na vida de Paulo. O importante seria o fato de ele ser rabino ou doutor. Mas, como já vimos, ao que tudo indica, Paulo não estudou para ser rabino ou doutor. Nem é certo que esse ideal de rabino já existisse assim no primeiro século. E, como ainda veremos, a profissão e o trabalho tinham um papel não secundário, mais sim bem central na vida de Paulo.
O mais provável é que ele, como todo menino daquele tempo, tanto do mundo grego como do mundo judeu, tenha aprendido a profissão do própio pai, isto é, lá mesmo em Tarso. A profissão era uma característica da família. Passava de pai para filho. O aprendizado na oficina do pai começava aos 13 anos de idade e durava dois ou três anos. O menino tinha que trabalhar de sol a sol, obedecendo a uma disciplina muito rígida. Ele apredia a profissão do pai ou para ter meio de vida ou para se capacitar na condução dos negócios como sucessor do pai. Isso dependia do tamanho da fortuna e do negócio de pai.

terça-feira, 20 de julho de 2010

8°- Quetionamento Feito a Paulo.

8°- Você tem alguma Obra Escrita? Qual?

Paulo não escreveu nenhum livro, nenhum tratado, nenhuma "epístola" (entendida como obra literaria em forma de carta, dirigida a um público anônimo), mas escreveu algumas cartas para as comunidades e para os companheiros de caminhada. As cartas tratam de assuntos bem concretos da vida das comunidades e das pessoas.
No geral, Paulo segue o esquema normal das cartas daquela época apresentação do autor e dos destinatários, saudação inicial etc. Geralmente ele ditava as cartas a um secretário (Cf. Rm 16,22-"Eu, Tércio, que escrevi esta carta, vos saúdo no Senhor.", e no fim, as assinava de próprio punho (cf. 2Ts 3,17-"A saudação vai de meu próprio punho: PAULO. É esta a minha assinatura em todas as minhas cartas. É assim que eu escrevo."; Gl 6,11-"Vede com que tamanho de letras vos escrevo, de próprio punho!"; 1Cor 16,21- "Esta saudação escrevo-a de próprio punho: PAULO."; Cl 4,18 " Minha saudação, de próprio punho: PAULO. Lembrai-vos das minhas cadeias. A graça esteja convosco!" Fm 19-"Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: Eu pagarei. Para não te dizer que tu mesmo te deves inteiramente a mim!"). Parece que só a carta para Filêmon foi escrita inteiramente pelo próprio Paulo, sem ajuda de um secretário.
Na maioria das vezes, Paulo não escrevia sozinho, mas junto com os companheiros de missão que aparecem ao lado dele na saudação inicial ou nas lembranças das cartas. (cf. Rm. 16,21-23 - "Saúdam-vos Timóteo, meu cooperador, Lúcio, Jasão e Sosípatro, meus parentes.22. Eu, Tércio, que escrevi esta carta, vos saúdo no Senhor.23. Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a Igreja"; 1Cor 1,1;16,19- "Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por chamamento e vontade de Deus, e o irmão Sóstenes." 16,19 "As igrejas da Ásia vos saúdam. Áquila e Prisca, com a comunidade que se reúne em sua casa, enviam-vos muitas saudações." Paulo Trabalhava sempre em equipe.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

7°-Questionamento feito a Paulo.

7°) Quais suas leituras preferidas? Qual o significado que a Bíblia tem para Você?

A leitura preferida de Paulo, era sem dúvida, a Sagrada Escritura, aprendida desde criança, conforme o costume do povo judeu da época (Cf. 2Tm 3,15-"E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo".). Da Sagrada Escritura ele tirava a "sabedoria que conduz a salvação pela fé em Jesus Cristo" (2Tm 3,15). Tirava "ensinamento", perseverança e consolação", "esperança" (cf.Rm 15,14 - "Ora, tudo quanto outrora foi escrito, foi escrito para a nossa instrução, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança.") Ele se considerava destinatário daqueles escritos antigos: "Foram escritos para a nossa instrução, nós que tocamos o fim dos tempos"( 1Cor.10,11). Ele Acreditava que o espírito de Deus agia no povo através da Escritura Sagrada: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra" (2Tm 3,16-17).
Naquele tempo a Sagrada Escritura compreendia só os livros que hoje pertencem ao Antigo Testamento, pois o Novo Testamento ainda não existia como escrito. Por ora, só como comunidade nova e olhar novo. Os Escritos do novo testamentos estavam sendo feitos.
A expressão Antigo Testamento vem co próprio Paulo(cf 2Cor 3,14- "Em conseqüência, a inteligência deles permaneceu obscurecida. Ainda agora, quando lêem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece abaixado, porque é só em Cristo que ele deve ser levantado." Era uma maneira nova de indicar a Sagrada Escritura, que deve ter desagradado aos irmãos judeus. Para Paulo, o Antigo se tornava Novo através da vida nova e do olhar novo, nascidos de sua conversão para Cristo na comunidade (cf. 2Cor 3,16).Paulo lia e interpretava os Livros do Antigo Testamento a partir desse novo olhar. Não parava na "letra que mata", mas buscava o "Espirito que comunica a vida" (2Cor 3,6- "Ele é que nos fez aptos para ser ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.") Procurava descobrir como toda a história antiga estava orientada por Deus para encontrar em Cristo e na comunidade seu verdadeiro e definitivo sentido: "Todas as promessas de Deus encontram nele o seu "sim!" (2Cor 1,20. "Tudo foi escrito para nós que tocamos o fim dos tempos" (1 Cor 10,11).




Imagem de Paulo Escrevendo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

6°- Questionamento feito a Paulo.

6°) Você se formou como rabino, doutor da lei? Quais os cursos que seguiu?

Naquele tempo, não havia cursos como hoje. Havia os grandes mestres que reuniam ao seu redor um grupode discipulos. Na época de Paulo, isto é no primeiro século, ainda não havia uma graduação oficial para alguém poder usar o titulo de rabino ou doutor da lei. Isso só aconteceu apartir da reunião de Yabne, realiazada em torno do ano 90 d.C. Naquela assembleia, os rabinos da linha dos fariseus estabeleceram as condições para alguém poder ser admitido e reconhecido como rabino. Paulo nunca usou o titulo de rabino e nunca foi chamado como tal. Por isso, é pouco provavél que ele tenha estudado para se formar como rabino ou doutor da lei. No entanto, o conhecimento de que ele dá provas em suas cartas mostra que, mesmo não sendo rabino oficialmente, possuia uma sólida formação teológica,igual à dos rabinos, e que conhecia as regras da interpretação das Escrituras.
O estudo superior abrangia as seguintes quatro matérias:
1. Estudo da Lei chamada Torá, através de leituras frequentes até conhece-las de có;
2. Estudo da Halaká, isto é, da tradição dos antigos .
A Halaká procurava regularmente a vida do povo de acordo com a Lei. Era chamada Tradição Oral, que tinha tanto valor quanto o texto escrito da lei. Paulo estudou a Halaká dos fariseus e não dos saduceus. (cf. Fl 3,5; 5-Circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu;) (cf At. 23,6-8; 6- Paulo sabia que uma parte do Sinédrio era de saduceus e a outra de fariseus e disse em alta voz.: Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos é que sou julgado.7-Ao dizer ele estas palavras, houve uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e dividiu-se a assembléia.8-(Pois os saduceus afirmam não haver ressurreição, nem anjos, nem espíritos, mas os fariseus admitem uma e outra coisa.).
3. Estudo Hagadá, Isto é, das historias do passado, descritas na Bíblia. A maneira que se usava para lembrar e contar as histórias dopassado capacitava o aluno a ler os fatos de seu tempo a luz da fé.
4. As regras do Midrash, isto é, da interpretação da Bíblia. Midrash significa "busca", do verbo darash ("buscar"). Indica a busca do sentido que a sagrada Escritura tem para a vida do povo e das pessoas.

5° Questionamento feito a Paulo

5°) Quais os Estudos que você fez onde e com quem?

Conforme costumes judeus da época, Paulo deve ter recebido formação básica como judeu, primeiro, na casa dos pais e, em seguida, na sinagoga local de Tarso e na escola ligada a sinagoga. A formação comum dos judeus compreendia: aprender a ler e escrever, o estudo da Lei e da história do povo; a transmissão da sabedoria da vida e das tradições religiosas; a aprendizagem das orações. O método era: pergunta e resposta; repetir e decorar; insistencia na disciplina e na convivencia. Além disso, ainda em Tarso, ele deve ter aprendido a cultura grega que ele conhecia e usava (cf At. 17,28; 17-Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça...).
Imagem de Gamaliel
Além dessa formação básica, Paulo recebeu uma formação superior em Jerusalém. Desde sua juventude, estudou aos pés de Gamaliel, neto e discipulo do célebre doutor Hillel (cf At. 22,3; 3- Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje.) Ele mesmo confessa que foi alino aplicado e esforçado (cf, Fl 3,6; 6- Quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.





Imagem de Gamaliel



quinta-feira, 15 de abril de 2010

4º - Questionamento feito a Paulo.

4°- Como é que você, sendo Judeu, foi nascer numa cidade helenista? A sua familia é de lá ou migrou para lá?.


São Jerônimo (séc. IV) conservou uma tradição antiga conforme a qual Paulo teria nascido em Giscala na Galiléia. Essa tradição não pode ser verdadeira, pois contradiz a afirmção de Lucas em Atos dos Apóstolos, na qual paulo diz: "Nasci em Tarso" (At. 22,3; "Continuou ele: Eu sou judeu nascí em Tarson da Cilicia, mas criei-me nesta cidade, instrui-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos os vóis também os sois no dia de hoje."). Mas ela pode ter um fundo de verdade. É provavél que a familia de Paulo tenha sua origem na Galiléia e tenha migrado de lá para tarso bem antes do nascimento de Paulo. Naquele tempo, a migração de judeus da palestina para as cidades costeiras do Mar Mediterraneo era muito comum, desde o século V a.C. Em todas elas havia comunidades judaicas bem organizadas que, juntas, formavam a chamada diáspora. Havia uma comunicação muito intensa entre as comunidades da diáspora e a cidade de Jerusalém, que era o centro espiritual de todos os judeus.

Assim se entende com Paulo, nascido em Tarso, foi criado em Jerusalém (cf At. 22,3 ; At. 26,4-5; 4-Minha vida desde a minha primeira juventude, tem decorrido no meio de minha pátria e de Jerusalém, e é conhecida dos judeus. 5-Sabem eles, desde longa data, e se quiserem poderão testemunha-lo, que vivi segunda a seita mais rigorosa da nossa religião, isto é, como fariseu. e como ele tinha uma irmã casada que morava em Jerusalém (cf. At. 23,16- 16-Mas um filho da irmã de Paulo, inteirado da cilada dirigiu se a cidadela e comunicou a Paulo.) Ele mesmo diz: "O que foi minha juventude e como desde o inicio vivi no meio da minha nação, em jerusalém mesmo, sabem-no todos os judeus" (At. 26,4)

Imagem de uma dispersão (diáspora).

sábado, 20 de março de 2010

3° Questionamento feito a Paulo.

3°) Onde você nasceu?

Paulo nasceu em Tarso, na Cilícia da Ásia Menor (cf At 9,11.30
- "11. O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando."
"30. Os irmãos, informados disso, acompanharam-no até Cesaréia e dali o fizeram partir para Tarso."). Tarso ficava a uns 15 quilômetros do Mar Mediterrâneo, perto da foz (desembocadura) do Rio Cidno, que, pouco antes de entrar no mar, formava um grande lago. Tarso era uma cidade enorme. Conforme os cálculos feitos por alguns historiadores, tinha cerca de 300 mil habitantes. Ela possuia um porto muito ativo, de grande movimento. "Imagem do Porto de Tarso"


A estrada romana que fazia a ligação entre o Oriente e o Ocidente passa por lá. Tarso era também um importante centro de cultura. Foi ainda em Tarso que o imperador Marco Antonio viu pela primeira vez Cleópatra (38 a.C.), fato que mudou a história do Império Romano. Ao Sul, a cidade se abria para o mar. Para o Norte, ela se espremia ao pé da serra, chamada Taurus, que subia até 3 mil metros de altura.


Vista Panorãmica da Cidade de Tarso.

2° Questionamento feito a Paulo.

2°) Quando você Nasceu.

Paulo deve ter nascido em torno do ano 5 da nossa era. Pois, quando escreveu a carta para o amigo Filemôn, ele já se considerava "velho" (cf. Fm 9 - "prefiro fazer apenas um apelo à tua caridade. Eu, Paulo, idoso como estou, e agora preso por Jesus Cristo."). "Velho", conforme os padrões daquele tempo, era a pessoa que tinha mais de 55 anos de idade. A carta para Filemôn foi escrita quando Paulo estava na prisão (cf Fm 9), provavelmente na primeira prisão romana, que durou dois anos, de 58 até 60. Deduzindo os 55 de 60, se obtém o ano 5.Como se vê o cálculo da idade e da cronologia de Paulo depende de muitas conjeturas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

1° Questinonamento Feito a Paulo.

1. Qual é o Seu nome?


O primeiro nome é Shaúl ou Saulo (cf. At, 7,58 - "Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo".) , que significa "implorado", "desejado". Naquele tempo, além do primeiro nome em hebraico ou aramaico, era costume ter um segundo nome latinizado ou grego. O segundo nome era Paulo (Cf. At. 13,9 - "Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe."). É esse o nome que ele prefere e usa em todas as suas cartas. Outros exemplos de nome duplo: João Marcos (cf. At. 12,12; 15,37 - "37. "Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos."), José Barsabás Justo (cf. At. 1,23 - "Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias."), Simão "o Negro" (cf At. 13,1 - "Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo."), Tabita Dorcas (cf. At. 9,36 - "Em Jope havia uma discípula chamada Tabita - em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava.").

segunda-feira, 8 de março de 2010

A vida do Apostolo Paulo.

Eis aqui uma porta de entrada para a vida do Apóstolo Paulo. Trata-se de uma chave de leitura, em forma de entrevista, para as cartas que ele escreveu. O Objetivo é fornecer a ficha completa do Apostolo Paulo. São 41 perguntas a Paulo respondidadas com base nas cartas paulinas, nos Atos dos Apostolos e em outras informações sobre a época. de um modo simples direto e agradavel. Iremos apresentar os principais aspectos da vida daquele que de livre virou escravo, de honrado virou expulso, de rico virou pobre por causa de Jesus Cristo.