Paulo escrevendo.

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

35º Questionamento feito a Paulo.

35º - Por que voce não se casou? é Contra o casamento?

Paulo não era casado (cf. 1Cor 7,8"8. Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu."), Alguns exegetas acham que ele era viúvo. Não sei qual o argumento que eles têm para fazer tal afirmação. Paulo não se casou, não porque era contra o casamento, mas porque não quis casar. Era a maneira como ele via sua vocação pessoal e procurava ser fiel a ela. O não querer casar-se tinha a ver com sua experiencia pessoal de Cristo (cf.1Cor 7,32 "32-Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor") e com o fato de que em Cristo o fim dos tempos ja tinha chegado (cf. 1Cor 7,29-31"29. Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem; 30. os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem;31. os que usam deste mundo, como se dele não usassem. Porque a figura deste mundo passa"; cf. Mc 12,25 "25. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus."). Mesmo não casando, Paulo defendia o direito que ele tinha de casar (cf 1Cor 9,5"5. Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas?). Não era contra o casamento. Pelo contrário, considerava a teoria daqueles que proibiam o casamento (cf. 1Tm 4,1-7"1. O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, 2. de hipócritas e impostores que, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia, 3. proíbem o casamento, assim como o uso de alimentos que Deus criou para que sejam tomados com ação de graças pelos fiéis e pelos que conhecem a verdade. 4. Pois tudo o que Deus criou é bom e nada há de reprovável, quando se usa com ação de graças. 5. Porque se torna santificado pela palavra de Deus e pela oração. 6. Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão. 7. Quanto às fábulas profanas, esses contos extravagantes de comadres, rejeita-as.) como "doutrina demoniaca", como "hipocresia de mentirosos" e fábulas impias de gente caduca".

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

34° - Questionamento feito a Paulo.

34º - Paulo, além de brigar com barnabé, você brigou também com Pedro. Foi pelo mesmo motivo?

     Na pergunta anterior, explicamos porque motivo Paulo brigou com Barnabé. Paulo brigou também com Pedro, mas não foi pelo mesmo motivo. A crise mais profunda das primeiras comunidades surgiu por ocasião da entrada dos pagãos na Igreja. No começo, ninguém pensava em converter os pagãos. Só se anunciava Evangelho aos judeus (cf. At 11,19 "19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus.").
     Caso um pagão quisesse entrar na Igreja, aplicava-se o costume antigo. Desde séculos, quando um pagão se convertia ao Deus de Israel. ele devia assumir também todos os compromissos da Aliança que Deus tinha firmado com o seu povo, a saber, a observância da Lei de Moisés, a circuncisão, os costumes das normas da pureza etc. Essa era a teoria antiga que continuava em vigor, aceita por todos. Mas a prática dos Cristãos correu na frente da teoria e modificou o quadro.
     Em Antioquia, os cristãos, todos eles judeus convertidos, fugidos de Jerusalém na época da grande perseguição, começaram a falar de Jesus também aos pagãos (cf. At 11,19-20 "19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus. 20. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus.") E diz o livro dos Atos: "A mão do Senhor estava com eles, e bom número abraçou a fé e converteu-se ao Senhor" (At 11,21). Fato consumado! Os pagãos, entraram sem passar pelas observancias judaicas! Aí surgiu o problema teórico "Se não fossem circuncidados como ordena a lei de Moisés, vocês não poderão salvar-se" (At 15,1).
     Dividiu-se a Igreja! Um Grupo, concentrado em Antioquia, tomou a defesa da entrada direta dos pagãos, sem passar pela observância da lei de Moisés. Paulo e Barnabé faziam parte desse grupo. Outro grupo, concentrado em Jesrusalém dizia o contrário: É preciso circuncidar os pagãos e impor-lhes a observancia da lei de moisés" (At 15,5). Convocou-se uma reunião, um Concilio, para resolver o problema e decidir a questão (cf. At 15,6 "6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão.")
     O concilio decidiu em favor da entrada dos pagãos, sem a imposição da lei de Moisés e da circuncisão. A decisão estava baseda na prática, nos fatos e na experiencia. A prática: Tudo aquilo que acontecera nas viagens de Paulo e Barnabé (cf. At 15,3-4.12 "3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria. 4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles. 12. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios."); os fatos: a conversão de Cornélio e o seu batismo por Pedro (cf At 15,7-9 " 7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.
8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós.
9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações.")
;a experiencia: a incapacidade sentida pelos judeus de conseguirem a justiça através da observancia da lei (cf At 15,10 "10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?") Foi desse modo que o Concilio releu e atualizou a teoria antiga e chegou aconclusão: "É pela graça do senhor que aceditamos ser salvos" (At 15,11).

       A decisão do Concilio foi um marco importante na história das primeiras comunidades. Mas nem todos entenderam o seu alcance. Alguns se apegavam à letra do documento conciliar (cf At 15,23-29 " 23. Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: "Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!24. Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência.25. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,26. homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.27. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas.28. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável:29. que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus!) e negavam seu espirito.
Ora, é dentro desse contexto das tenções pré conciliares, que vai aparecer a briga de Paulo com Pedro.
     Certa vez, Pedro chegou de visita à comunidade de Antioquia. Fiel ao espirito do Concilio, vivia com todo mundo sem fazer distinção entre pagãos e judeus; (cf. Gl 2,12 " 12. Pois, antes de chegarem alguns homens da parte de Tiago, ele comia com os pagãos convertidos. Mas, quando aqueles vieram, retraiu-se e separou-se destes, temendo os circuncidados.") A essa altura chegou de Jerusalém um grupo mais conservador de judeus convertidos que não se misturava com os pagãos. Com medo das criticas desse grupo, Pedro se afastou dos pagãos (cf. Gl 2,12 " 12. Pois, antes de chegarem alguns homens da parte de Tiago, ele comia com os pagãos convertidos. Mas, quando aqueles vieram, retraiu-se e separou-se destes, temendo os circuncidados.") A mundabça no comportamento de Pedro levou muita gente a fazer o mesmo "Até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia" (Gl 2,13). Foi um impacto muito grande na comunidade. Por causa dessa atitude de Pedro, os pagãos ficavam com a impressão de serem cristãos de segunda categoria. Cristão mesmo, cem por cento, de primeira categoria, seria só ojudeu convertido que observava a lei de Moisés! Fiel à letra do Concílio, Pedro, sem se dar conta, negava o seu espirito na prática. O seu conportamento era "digno de censura (Gl 2,11).
     Quando Paulo percebeu a gravidade da situação, reagiu fortemente e brigou com Pedro. Ele mesmo descreve o fato: "Quando vi que eles não estavam agindo direito conforme a verdade do Evangelho, eu disse a pedro, na frente de todos: "Voce é judeu, mas já viveu como os pagãos e não como os judeus. Como então pode, agora, obrigar os pagãos a viverem como judeus?" (Gl 2,14). 
     A reação de Paulo revela a profundidade da experiencia que ele teve no caminho de Damasco. Foi lá qu ele experimentou, de um lado, a propria incapacidade de atingir a justiça pela observancia da lei e, do outro, a misericordia de Deus que o acolhia de graça e lhe comunicava a justiça pel fé em Jesus Cristo. Reagindo contra Pedro, Paulo, de certo modo estava defedendo a experiencia que teve de Deus no caminho de Damasco, e tirava uma lição para a vida de toda a Igreja.








segunda-feira, 13 de agosto de 2012

33º - Questionamento feito a Paulo.

33° - Você brigou com Barnabé no começo da segunda viagem missionária. Por quê?

     João Marcos, sobrinho de Barnabé, acompanhou Paulo e Barnabé na primeira viagem, mas os abandonou na metade do caminho (cf. At 13,13 "13. Paulo e os seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.') Quando Paulo convidou Barnabé para uma segunda viagem, este quis que João Marcos fosse junto outra vez (cf At 15,37 "37. Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos."). "Mas Paulo era de opinião que não se devia levar junto aquele que os havia abandonado na Panfilia e não os acompanhara no trabalho" (At 15,38). Foi aí que os dois brigaram e se separaram, um do outro, por causa de Marcos (cf. At. 15,38-40 "38. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília e não os havia acompanhado no ministério. 39. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre. 40. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à graça do Senhor, partiu. Ele percorreu a Síria, a Cilícia, confirmando as comunidades.").
     Mais tarde houve a reconciliação. Paulo tornou-se, novamente amigo de Marcos e reconheceu o valor dele para o anuncio do Evangelho, pois ele escreve a Timóteo: "Procure Marcos e traga-o com você, porque ele pode ajudar-me no ministério"(2Tm 4,11). E na primeira carta aos corintios, Barnabé é lembrado como companheiro fiel e exemplar de Paulo (cf. 1Cor 9,6).   






terça-feira, 31 de julho de 2012

32° - Questionamento feito a Paulo.

32º - Qual foi a razão última que levou você a aceitar Jesus como Messias?

Houve o encontro na estrada de Damasco que derrubou Paulo e o deixou cego durante três dias. Foi a experiência mais forte e mais duradoura da sua vida. No entanto, não foi só isso que o levou a aceitar Jesus e reconhecê-lo como Messias. Dentro dessa experiência, única e avassaladora, brilhou para Paulo a certeza de que Jesus é o sim de Deus à promessas feitas ao povo passado (cf 2Cor 1,20 “20. Porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos Amém à glória de Deus.”)

Com outras palavras, aceitando Jesus como Messias, Paulo não estava sendo infiel ao seu povo, nem estava deixando de ser judeu, mais tornava-se mais judeu ainda; No fundo, foi a vontade de ser fiel ao seu povo e às suas esperanças, suscitadas pelas promessas de Deus, que o obrigava a aceitar Jesus como Messias. A sua fidelidade a Cristo e a sua experiência de Cristo de um lado, e a sua fidelidade ao seu povo e a sua experiência de povo do outro eram, como dois lados da mesma moeda.

Paulo nunca se sentiu traidor do seu povo, por mais que o acusassem disso. Ao contrário, vivendo em Cristo, sentia-se mais judeu do que antes, possuidor da esperança do seu povo. Era a fidelidade ao Antigo Testamento que o levou a aceitar o Novo Testamento.



31° - Questionamento feito a Paulo.

31° - Como foi a entrada de Jesus e em sua vida? Qual o significado e o alcance que a experiência na estrada de Damasco teve para você?

     A entrada de Jesus foi o divisor de águas. A vida de Paulo se divide em antes e depois da experiência na estrada de Damasco. Os fenômenos externos que acompanharam o processo interno da conversão e os termos e comparações usados para descreve-la sugerem que a entrada de Jesus na vida de Paulo não foi uma brisa leve e tranquila, mais uma tempestade violenta, repentina. Ela sacudiu tudo e atingiu as fundações da sua existência. Faz desmoronar todo um mundo, uma tradição antiga, montada desde séculos, e fez aparecer um novo começo.
     Deus não lhe pediu licença. Entrou sem mais e jogou Paulo no chão (Cf. At. 9,4; "4. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" 22,17; "7. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?") Quando levantou estava cego, e cego ficou durante três dias (cf. At 9,8-9 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9. onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.").
     Apesar de ser o guia do grupo, Paulo teve que ser guiado pelos próprios súditos (cf At 9,8 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,"). Ele mesmo diz que o nascimento dele para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de maneira forçada e violenta através de um aborto (cf 1Cor 15,8 "8. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo.") Paulo não estava esperando fui "apanhado!" (Fl 3,12). Mesmo assim depois que tudo aconteceu, teve que reconhecer que era essa a sua vocação desde sempre. Foi para isso que Deus o havia separado e colocado à parte , desde o seio materno (cf. Gl 1,15 "15. Mas, quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça,"). Paulo o viveu como sendo seu destino a sua vocação, a sua missão. Uma quase fatalidade, da qual já não podia escapar: o seu destino passou a ser anunciar o Filho de Deus entre os pagãos (Cf. Gl 1,16 "16. para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios, imediatamente, sem consultar a ninguém".) Era uma necessidade para ele: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1Cor 9,16). Ao mesmo tempo, ele viveu aquela hora como um momento de misericórdia por parte de Deus. Deus o acolheu, quando ele mesmo era insolente e perseguidor (cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.") Foi o momento que super abundou nele a graça de Deus (cf 1Tm. 1,14 "14. E a graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo."). Foi assim que Cristo o formou para o serviço (cf 1Tm 1,12 "12. Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério,").
     Para Paulo, o viver era Cristo (cf. Fl 1,21 "21. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."). Já não era ele que vivia, mas Cristo nele (cf. Gl 2,20 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim."). Paulo sabia que era amado: "Ele amou e se entregou por mim!" (Gl 2,20). Daquele ponto em diante, ele já não queria saber de outra coisa a não ser Jesus crucificado (cf. 1Cor 2,2 "2. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.") Queria completar na sua própria carne o que faltava na Paixão de Cristo (cf. Cl 1,24 "24. Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.") Por amor a Jesus, largou tudo para poder possui-lo e ser encontrado nele (cf. Fl. 3,8-9 "8. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo
9. e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé.). Participou da Paixão de Cristo para poder experimentar a sua Ressurreição (cf Fl 3,10-11 "10. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte,11. com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos.) Trazia a agonia de Jesus no corpo, para que se manifestasse nele a vida (cf 2Cor 4,10-12; "10. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. 11. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. 12. Assim em nós opera a morte, e em vós a vida.; Gl 6,17 "17. De ora em diante ninguém me moleste, porque trago em meu corpo as marcas de Jesus."). Paulo vivia uma total identificação com Jesus morto e ressuscitado.
 
     Por causa dessa experiencia de Cristo morto e ressuscitado, tudo mudou na vida de Paulo: de livre virou escravo, de honrado virou expulso, de rico virou pobre! Por causa do amor de Cristo suporta tudo e vive entregue, dia e noite (cf. 1Cor 13,4-6 "4. A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. 5. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. 6. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade."). Um novo critério invadiu sua vida: a graça libertadora de Deus tomou forma concreta em Jesus, "que amou e se entregou por mim" (Gl 2,20).

















































terça-feira, 24 de julho de 2012

30º - Questionamento feito a Paulo.

30º- Paulo, porque você aprovou a morte de Estevão e perseguiu os Cristãos?

     Paulo Procurava atingir a justiça através da observancia da lei (cf. Fl 3,5-6 "5. circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu;6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.") . A sua Vida e a vida do seu povo estavam organizadas e estruturadas, desde séculos, em torno das exigências da Aliança, o povo alcançaria a justiça, seria justo. Essa era a teoria, a doutrina ensinada ao povo. A prática, porém era outra.
     Na prática, Paulo experimentava dolorosamente que ele, apesar de todo o seu esforço, não era capaz de cumprir tudo o que a lei mandava. O seu esforço não bastava para alcançar a justiça. Paulo continuava em falta com Deus e não alcançava a paz da consciencia. Queria fazer o bem e não conseguia (cf. Rm 7,14-24 "14. Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. 15. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. 16. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. 17. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. 18. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. 19. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. 20. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. 21. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. 22. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. 23. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. 24. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?.."). Mesmo assim apesar da prática deficiente, ninguém duvidava da exatidão da doutrina ensinada pelos fariseus.
     O testemunho de Estevão, porém, abalou na raiz este mundo de Paulo e questionou radicalmente a exatidão do caminho que ele seguia para alcançar a justiça e a paz com Deus. Na hora de morrer apedrejado, Estevão disse: "Vejo os céus abertos e o Filho do Homem de pé a direita de Deus" (At 7,56). Nesse testemunho, Estevão dava prova de estar na presença de Deus e de ser acolhido por ele, tranquilo, em paz com a própria consciencia, e, portanto, de possuir a justiça que Paulo procurava e não alcançava. E mais: Estêvão possuía a justiça não como resultado da observancia da Lei, mas como um dom gratuito de Deus; o mesmo Jesus que, alguns anos atrás, tinha sido condenado como herético e blasfemo pela suprema autoridade dos judeus e morrera vergonhosamente numa cruz!
     Este testemunho tão breve e tão simples era a negação radical do ideal de justiça de Paulo. Ou Estevão, ou Paulo! Os dois não podiam ser verdadeiros ao mesmo tempo. Eram dois caminhos totalmente diferente, dois mundos opostos ou um ou outro!
     Paulo estava convencido de que seu caminho era o caminho certo. Para ele, o caminho de Estevão era falso e corruptor dos bons costumes. Por isso, aprovou a morte de Estevão e começou a perseguir os cristão. Agia por ignorância (Cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.')Pensava estar prestando um serviço a Deus em defesa da tradição dos pais. Mais no fundo, quem sabe, se Paulo procurava calar a voz de Estevão e dos Cristãos, era porque queria abafar a voz da própria consciencia que começava a incomoda-lo. Paulo estava fugindo de sí mesmo e de Deus, até que Deus interveio e o derrubou na estrada de Damasco.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

29º - Questionamento feito a Paulo.

29º- Paulo, qual o lugar que a religião ocupa em sua vida? 

Paulo sempre foi profundamente religioso, tanto antes como depois da sua conversão para Cristo. Antes da conversão, ele vivia conforme a lei e a esperança de seu povo (cf. At 24,14-15 "14.Reconheço na tua presença que, segundo a doutrina que eles chamam de sectária, sirvo a Deus de nossos pais, crendo em todas as coisas que estão escritas na lei e nos profetas. 15. Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecador"; 22,3 "3. Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje."; 26,6-7 "6. Mas agora sou acusado em juízo, por esperar a promessa que foi feita por Deus a nossos pais,7. e a qual as nossas doze tribos esperam alcançar, servindo a Deus noite e dia. Por essa esperança, ó rei, é que sou acusado pelos judeus.") identificado com o ideal da religião de seus pais. Na prática da religião, ele seguia o grupo mais observante, que era o grupo dos fariseus (cf. At. 26,5). Ele mesmo confessa que era irrepreensível na mais estrita observancia da lei (cf. Fl 3,6 "6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.) Paulo era um homem de zelo (cf. Fl. 3,6 "6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível"; At 22,3 "3. Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje."), "zelo pelas tradições paternas" (Gl 1,14).Para defender a tradição dos pais chegou a perseguir os cristãos (cf. At 26,9 " 9. Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao nome de Jesus de Nazaré."; 22,4 "4. Eu persegui de morte essa doutrina, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres.Gl 1,13 "13. Certamente ouvistes falar de como outrora eu vivia no judaísmo, com que excesso perseguia a Igreja de Deus e a assolava;
    Era na vivência fiel dessa religião dos pais que paulo procurava a sua segurança junto de Deus. O testemunho de Estevão, porém, abalou-o profundamente. Foi o começo da mudança.
     A conversão para Cristo significou uma mudança profunda na vida de Paulo, mas não significou uma mudança ou troca de Deus. Pelo contrário! Paulo continuou fiel ao mesmo Deus de sempre, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de jacó. A diferença profunda entre ante e depois é que, agora, ele não coloca a sua segurança na observãncia da Lei, mas no amor gratuiro de Deus por ele, manifestado e experimentado em Jesus (cf Gl. 2,20-21 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. 21. Não menosprezo a graça de Deus; mas, em verdade, se a justiça se obtém pela lei, Cristo morreu em vão."). É na certeza absoluta desse amor que está o fundamento último da nova segurança que encontrou junto de Deus (cf. Rm 8,31-39 " 31. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32. Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? 33. Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34. Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós! 35. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? 36. Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). 37. Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. 38. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos).