Paulo escrevendo.

Paulo escrevendo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

32° - Questionamento feito a Paulo.

32º - Qual foi a razão última que levou você a aceitar Jesus como Messias?

Houve o encontro na estrada de Damasco que derrubou Paulo e o deixou cego durante três dias. Foi a experiência mais forte e mais duradoura da sua vida. No entanto, não foi só isso que o levou a aceitar Jesus e reconhecê-lo como Messias. Dentro dessa experiência, única e avassaladora, brilhou para Paulo a certeza de que Jesus é o sim de Deus à promessas feitas ao povo passado (cf 2Cor 1,20 “20. Porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos Amém à glória de Deus.”)

Com outras palavras, aceitando Jesus como Messias, Paulo não estava sendo infiel ao seu povo, nem estava deixando de ser judeu, mais tornava-se mais judeu ainda; No fundo, foi a vontade de ser fiel ao seu povo e às suas esperanças, suscitadas pelas promessas de Deus, que o obrigava a aceitar Jesus como Messias. A sua fidelidade a Cristo e a sua experiência de Cristo de um lado, e a sua fidelidade ao seu povo e a sua experiência de povo do outro eram, como dois lados da mesma moeda.

Paulo nunca se sentiu traidor do seu povo, por mais que o acusassem disso. Ao contrário, vivendo em Cristo, sentia-se mais judeu do que antes, possuidor da esperança do seu povo. Era a fidelidade ao Antigo Testamento que o levou a aceitar o Novo Testamento.



31° - Questionamento feito a Paulo.

31° - Como foi a entrada de Jesus e em sua vida? Qual o significado e o alcance que a experiência na estrada de Damasco teve para você?

     A entrada de Jesus foi o divisor de águas. A vida de Paulo se divide em antes e depois da experiência na estrada de Damasco. Os fenômenos externos que acompanharam o processo interno da conversão e os termos e comparações usados para descreve-la sugerem que a entrada de Jesus na vida de Paulo não foi uma brisa leve e tranquila, mais uma tempestade violenta, repentina. Ela sacudiu tudo e atingiu as fundações da sua existência. Faz desmoronar todo um mundo, uma tradição antiga, montada desde séculos, e fez aparecer um novo começo.
     Deus não lhe pediu licença. Entrou sem mais e jogou Paulo no chão (Cf. At. 9,4; "4. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" 22,17; "7. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?") Quando levantou estava cego, e cego ficou durante três dias (cf. At 9,8-9 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9. onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.").
     Apesar de ser o guia do grupo, Paulo teve que ser guiado pelos próprios súditos (cf At 9,8 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,"). Ele mesmo diz que o nascimento dele para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de maneira forçada e violenta através de um aborto (cf 1Cor 15,8 "8. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo.") Paulo não estava esperando fui "apanhado!" (Fl 3,12). Mesmo assim depois que tudo aconteceu, teve que reconhecer que era essa a sua vocação desde sempre. Foi para isso que Deus o havia separado e colocado à parte , desde o seio materno (cf. Gl 1,15 "15. Mas, quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça,"). Paulo o viveu como sendo seu destino a sua vocação, a sua missão. Uma quase fatalidade, da qual já não podia escapar: o seu destino passou a ser anunciar o Filho de Deus entre os pagãos (Cf. Gl 1,16 "16. para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios, imediatamente, sem consultar a ninguém".) Era uma necessidade para ele: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1Cor 9,16). Ao mesmo tempo, ele viveu aquela hora como um momento de misericórdia por parte de Deus. Deus o acolheu, quando ele mesmo era insolente e perseguidor (cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.") Foi o momento que super abundou nele a graça de Deus (cf 1Tm. 1,14 "14. E a graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo."). Foi assim que Cristo o formou para o serviço (cf 1Tm 1,12 "12. Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério,").
     Para Paulo, o viver era Cristo (cf. Fl 1,21 "21. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."). Já não era ele que vivia, mas Cristo nele (cf. Gl 2,20 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim."). Paulo sabia que era amado: "Ele amou e se entregou por mim!" (Gl 2,20). Daquele ponto em diante, ele já não queria saber de outra coisa a não ser Jesus crucificado (cf. 1Cor 2,2 "2. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.") Queria completar na sua própria carne o que faltava na Paixão de Cristo (cf. Cl 1,24 "24. Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.") Por amor a Jesus, largou tudo para poder possui-lo e ser encontrado nele (cf. Fl. 3,8-9 "8. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo
9. e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé.). Participou da Paixão de Cristo para poder experimentar a sua Ressurreição (cf Fl 3,10-11 "10. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte,11. com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos.) Trazia a agonia de Jesus no corpo, para que se manifestasse nele a vida (cf 2Cor 4,10-12; "10. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. 11. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. 12. Assim em nós opera a morte, e em vós a vida.; Gl 6,17 "17. De ora em diante ninguém me moleste, porque trago em meu corpo as marcas de Jesus."). Paulo vivia uma total identificação com Jesus morto e ressuscitado.
 
     Por causa dessa experiencia de Cristo morto e ressuscitado, tudo mudou na vida de Paulo: de livre virou escravo, de honrado virou expulso, de rico virou pobre! Por causa do amor de Cristo suporta tudo e vive entregue, dia e noite (cf. 1Cor 13,4-6 "4. A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. 5. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. 6. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade."). Um novo critério invadiu sua vida: a graça libertadora de Deus tomou forma concreta em Jesus, "que amou e se entregou por mim" (Gl 2,20).

















































terça-feira, 24 de julho de 2012

30º - Questionamento feito a Paulo.

30º- Paulo, porque você aprovou a morte de Estevão e perseguiu os Cristãos?

     Paulo Procurava atingir a justiça através da observancia da lei (cf. Fl 3,5-6 "5. circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu;6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.") . A sua Vida e a vida do seu povo estavam organizadas e estruturadas, desde séculos, em torno das exigências da Aliança, o povo alcançaria a justiça, seria justo. Essa era a teoria, a doutrina ensinada ao povo. A prática, porém era outra.
     Na prática, Paulo experimentava dolorosamente que ele, apesar de todo o seu esforço, não era capaz de cumprir tudo o que a lei mandava. O seu esforço não bastava para alcançar a justiça. Paulo continuava em falta com Deus e não alcançava a paz da consciencia. Queria fazer o bem e não conseguia (cf. Rm 7,14-24 "14. Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. 15. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. 16. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. 17. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. 18. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. 19. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. 20. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. 21. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. 22. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. 23. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. 24. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?.."). Mesmo assim apesar da prática deficiente, ninguém duvidava da exatidão da doutrina ensinada pelos fariseus.
     O testemunho de Estevão, porém, abalou na raiz este mundo de Paulo e questionou radicalmente a exatidão do caminho que ele seguia para alcançar a justiça e a paz com Deus. Na hora de morrer apedrejado, Estevão disse: "Vejo os céus abertos e o Filho do Homem de pé a direita de Deus" (At 7,56). Nesse testemunho, Estevão dava prova de estar na presença de Deus e de ser acolhido por ele, tranquilo, em paz com a própria consciencia, e, portanto, de possuir a justiça que Paulo procurava e não alcançava. E mais: Estêvão possuía a justiça não como resultado da observancia da Lei, mas como um dom gratuito de Deus; o mesmo Jesus que, alguns anos atrás, tinha sido condenado como herético e blasfemo pela suprema autoridade dos judeus e morrera vergonhosamente numa cruz!
     Este testemunho tão breve e tão simples era a negação radical do ideal de justiça de Paulo. Ou Estevão, ou Paulo! Os dois não podiam ser verdadeiros ao mesmo tempo. Eram dois caminhos totalmente diferente, dois mundos opostos ou um ou outro!
     Paulo estava convencido de que seu caminho era o caminho certo. Para ele, o caminho de Estevão era falso e corruptor dos bons costumes. Por isso, aprovou a morte de Estevão e começou a perseguir os cristão. Agia por ignorância (Cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.')Pensava estar prestando um serviço a Deus em defesa da tradição dos pais. Mais no fundo, quem sabe, se Paulo procurava calar a voz de Estevão e dos Cristãos, era porque queria abafar a voz da própria consciencia que começava a incomoda-lo. Paulo estava fugindo de sí mesmo e de Deus, até que Deus interveio e o derrubou na estrada de Damasco.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

29º - Questionamento feito a Paulo.

29º- Paulo, qual o lugar que a religião ocupa em sua vida? 

Paulo sempre foi profundamente religioso, tanto antes como depois da sua conversão para Cristo. Antes da conversão, ele vivia conforme a lei e a esperança de seu povo (cf. At 24,14-15 "14.Reconheço na tua presença que, segundo a doutrina que eles chamam de sectária, sirvo a Deus de nossos pais, crendo em todas as coisas que estão escritas na lei e nos profetas. 15. Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecador"; 22,3 "3. Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje."; 26,6-7 "6. Mas agora sou acusado em juízo, por esperar a promessa que foi feita por Deus a nossos pais,7. e a qual as nossas doze tribos esperam alcançar, servindo a Deus noite e dia. Por essa esperança, ó rei, é que sou acusado pelos judeus.") identificado com o ideal da religião de seus pais. Na prática da religião, ele seguia o grupo mais observante, que era o grupo dos fariseus (cf. At. 26,5). Ele mesmo confessa que era irrepreensível na mais estrita observancia da lei (cf. Fl 3,6 "6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.) Paulo era um homem de zelo (cf. Fl. 3,6 "6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível"; At 22,3 "3. Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje."), "zelo pelas tradições paternas" (Gl 1,14).Para defender a tradição dos pais chegou a perseguir os cristãos (cf. At 26,9 " 9. Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao nome de Jesus de Nazaré."; 22,4 "4. Eu persegui de morte essa doutrina, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres.Gl 1,13 "13. Certamente ouvistes falar de como outrora eu vivia no judaísmo, com que excesso perseguia a Igreja de Deus e a assolava;
    Era na vivência fiel dessa religião dos pais que paulo procurava a sua segurança junto de Deus. O testemunho de Estevão, porém, abalou-o profundamente. Foi o começo da mudança.
     A conversão para Cristo significou uma mudança profunda na vida de Paulo, mas não significou uma mudança ou troca de Deus. Pelo contrário! Paulo continuou fiel ao mesmo Deus de sempre, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de jacó. A diferença profunda entre ante e depois é que, agora, ele não coloca a sua segurança na observãncia da Lei, mas no amor gratuiro de Deus por ele, manifestado e experimentado em Jesus (cf Gl. 2,20-21 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. 21. Não menosprezo a graça de Deus; mas, em verdade, se a justiça se obtém pela lei, Cristo morreu em vão."). É na certeza absoluta desse amor que está o fundamento último da nova segurança que encontrou junto de Deus (cf. Rm 8,31-39 " 31. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32. Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? 33. Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34. Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós! 35. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? 36. Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). 37. Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. 38. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos). 





































terça-feira, 3 de julho de 2012

28° - Questionamento feito a Paulo.

28º- O que lhe causou mais tristeza na vida?

Paulo teve muitas tristezas e problemas na vida. Ele as enumera na Segunda Carta ao Corintios (cf. 2Cor 11,23-29 "23. São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto.24. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um.25. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo.26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!27. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!28. Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas!29. Quem é fraco, que eu não seja fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor?") Teve tristezas nas comunidades, sobretudo em Corinto. Mas a tristeza maior parece ter sido a recusa de seus irmãos, os judeus, de crer em Jesus e de aceita-lo como o messias prometido e esperado. A isso ele se refere quando diz: "tenho uma grande tristeza, uma dor incessante no coração" (Rm 9,2). Ele chega a dizer que gostaria de ser "separado de Cristo", se com isso pudesse ganhar os seus irmãos para Cristo(cf. Rm. 9,3). Estevão questionou Paulo e conseguiu leva-lo a conversão. Paulo, uma vez convertido, questionou os outros judeus, mas não conseguiu leva-los à conversão. Pelo contrário, provocou a raiva deles a ponto de ser perseguido por eles com ódio de morte, pois nãoo perdoavam de, como eles diziam, ter se levantado contra o povo, contra a lei e contra o templo (cf. At. 21,28; cf. tb. At. 9,23; 21,31; 23,12; 25,3).
Outro sofrimento muito grande de Paulo, vinha dos "falsos irmãos" (cf. 2Cor. 11,26 "26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!").ou "falsos apostolos" (cf. 2Cor. 11,13 "13. Esses tais são falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo"). Os "falsos irmãos" eram judeus convertidos que não concordavam com a abertura de Paulo com relação a entrada de pagãos na Igreja. Eles achavam que os pagãos, ao entrarem na comunidade, deviam obsevar toda a lei e praticar a circuncisão (cf. At 15,1-10"1. Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos. 2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém. 3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria. 4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles. 5. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. 6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão. 7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. 9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações. 10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar.; Gl 6,12-13 "12. Os que vos obrigam à circuncisão são homens que se querem impor, só para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13. Pois nem os próprios circuncisos observam a lei. E se fazem questão de que vos mandeis circuncidar, é para terem motivo de se gloriarem na vossa carne.). Por isso, procuravam solapar a base do trabalho de Paulo, dizendo que a sua pregação não tinha a aprovação dos apóstolos (cf. Gl 2,1-10 "1. Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito comigo.2. E subi em conseqüência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente aos que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão. 3. Entretanto, nem sequer meu companheiro Tito, embora gentio, foi obrigado a circuncidar-se.4. Mas, por causa dos falsos irmãos, intrusos - que furtivamente se introduziram entre nós para espionar a liberdade de que gozávamos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar -, 5. fomos, por esta vez, condescendentes, para que o Evangelho permanecesse em sua integridade.6. Quanto aos que eram de autoridade - o que antes tenham sido não me importa, pois Deus não se deixa levar por consideração de pessoas -, estas autoridades, digo, nada me impuseram. 7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circuncisos a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circuncisos, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo:10. iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados. Recomendaram-nos apenas que nos lembrássemos dos pobres, o que era precisamente a minha intenção.)  Obrigaram Palo a fazer sua defesa (cf. 2Cor 11,12 "12. Mas o que faço, continuarei a fazer, para cortar pela raiz todo pretexto àqueles que procuram algum pretexto para se envaidecerem e se afirmarem iguais a nós.). Se Paulo se defende não é por causa dele mesmo, mas por causadas comunidades por ele fundadas.