Paulo escrevendo.

Paulo escrevendo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

17° - Questionamento feito a Paulo.


17º - Você, que viajou tanto, quais os países que visitou e qual seu domicilio actual?

Naquele tempo não havia países como hoje. Havia o grande império romano, que era como um mosaico enorme, feito de reinos, povos, cidades tribos. Cada pedrinha do mosaico mantinha sua autonomia relativa e suas próprias leis, mas todas juntas estavam integradas e organizadas dentro dos interesses comuns do grande Império, a saber: pagar os impostos e as taxas; não fazer guerras entre si; fornecer soldados para o exército romano; reconhecer a autoridade divina do Imperador. Por esse Império imenso Paulo andou, viajando por mar e por terra. Andou pelas estradas imperiais, apé, ao todo mais de 15 mil quilometros!
Pelo que se sabe, de todas as épocas da Antiguidade, a época em que Paulo vivia era a mais propicia para viajar. Em 63 A.C., pouco antes de invadir a Palestina o general romano Pompeu tinha derrotado e eliminado oa piratas que tornava perigosas as viagens pelo Mar Mediterrâneo. Em 31 a.C., após a vitória de Otaviano sobre Marco Antonio, tinha começado a Pax Romana, que favorecia a paz nas estradas boas consertadas regularmente e mantidas em bom estado de conservação. A cada trinta quilómetros (um dia de viagem), costumava haver uma hospedaria que oferecia segurança aos viajantes contra os ladrões e outros perigos.
Ora os cristãos souberam utilizar essa rede de estradas para a difusão do Evangelho. Eles viajavam muito entre as várias cidades. Estabeleceu-se uma rede de comunicação entre as comunidades. Vale a pena ler atentamente os Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo e fazer um levantamento minucioso das viagens dos primeiros cristãos: quem viajava; de onde para onde; com que meios; por quais estradas; com que finalidade etc.
Paulo nasceu em Tarso na Cilícia da Asia Menor, criou-se em Jerusalém na Palestina, foi enviado a Damasco na Síria. Depois de sua conversão, andou pela Arábia, Passando por Jerusalém, voltou para Tarso e, alguns anos depois, veio mora na comunidade de Antioquia na Síria. De lá foi enviado para a missão e, junto com os companheiros, andou por muitas regiões sem parar: Chipre, Panfilia, Psidia, Licaônia, Galácia, Mísia, Macedónia, Acaia<>
O domicilio natural de Paulo era Tarso. Mas depois que tomou consciencia de sua missão, não teve mais domicilio fixo. Era um peregrino se repouso. não vivia em canto nenhum, e sentia em casa em todo canto. (cf 1Cor 4,11 - " Até esta hora padecemos fome, sede e nudez. Somos esbofeteados, somos errantes,").


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

16° - Questionamento feito a Paulo.

16° - Quais as funções e tarefas que você já exerceu na sua vida?

Sendo um homem de participação ativa, Paulo recebeu e exerceu muitas tarefas e funções. Sinal de que era uma pessoa com qualidades de liderança. Percorrendo rapidamente os Atos dos Apostolo e as cartas, é possível encontrar dez tarefas e funções de que Paulo foi incumbido. Uma leitura mais atenta poderá descobri outras. Eis a lista:

  1. Testemunha oficial no apedrejamento de Estêvão (cf. At 7,58; 8,1 -" 1.E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão. Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judeia e de Samaria, com exceção dos apóstolos.")
  2. Provavelmente, membro do Sinédrio, isto é, do Supremo Tribunal de Jerusalém.
  3. Emissário do Sinédrio para Damasco em vista da perseguição dos cristãos (cf. At 9,2; 22,5: 26,12 -" 12. Nesse intuito, fui a Damasco, com poder e comissão dos sumos sacerdotes.") 30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.
  4. Delegado da comunidade de Antioquia para Jerusalém (cf. At. 11,30 -"30. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.")
  5. Delegado da mesma comunidade de Antioquia para a missão em Chipre e na Ásia menor (cf At 13,2-3 - "2. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.3. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.")
  6. Delegado dos Cristãos convertidos do paganismo para o Concilio Ecuménico de Jerusalém (Cf. At. 15,2- "2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.")
  7. Delegado oficial do Concilio junto às comunidades cristãs do mundo pagão (cf. At. 15, 22.25 - "22. Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos.25. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,")
  8. Responsável oficial pela evangelização dos pagãos (cf. Gl 2,7-9 -"7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circunciso a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circunciso, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo:")
  9. Organizador e portador da grande coleta feita nas comunidades cristãs do mundo pagão em beneficio dos pobres de Jerusalém, imitando assim o costume judeu dos dízimos e da ligação estreita com a igreja mãe (cf. Gl 2,10; Rm 15,25-28; 2Cor 8-9; 1Cor 16,1-4; At 24,17- "17. Depois de muitos anos (de ausência) vim trazer à minha nação esmolas e oferendas (rituais).")
  10. A tarefa mais importante: "Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor 9,16).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

15º - Questionamento Feito a Paulo.

15º - E o que você fez com seu direito de cidadão? Como você participa da vida pública de sua cidade? como você exerce seus direitos?

Como cidadão romano, Paulo gozava de alguns "privilégios." Ele não podia ser flagelado, nem ser crucificado. Em caso de necessidade, podia apelar para o Supremo Tribunal em Roma, para César. Três ou quatro vezes, Paulo recorreu a esses privilégios: em Filipos, quando foi preso e flagelado sem processo formal (cf At 16,37 -"Mas Paulo replicou: Sem nenhum julgamento nos açoitaram publicamente, a nós que somos cidadãos romanos, e meteram-nos no cárcere, e agora nos lançam fora ocultamente... Não há de ser assim! Mas venham e soltem-nos pessoalmente!") em Jerusalém, quando o centurião quis flagela-lo (cf At 22,25 - "Quando o iam amarrando com a correia, Paulo perguntou a um centurião que estava presente: É permitido açoitar um cidadão romano que nem sequer foi julgado) em Cesareia, quando corria perigo de ser entregue na mão dos judeus e por eles ser assassinado (cf. At 25,3.11 - "3. com insistência, como um favor, que o mandasse de volta para Jerusalém. É que queriam armar-lhe uma emboscada para o assassinarem no caminho. 11. Se lhes tenho feito algum mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer. Mas, se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém tem o direito de entregar-me a eles. Apelo para César!").
Como cidadão de Tarso, Paulo fazia parte da elite da cidade. Cidadão era todo aquele que era reconhecido oficialmente como membro da cidade. Só os cidadãos de uma cidade eram considerados povo (démos) daquela cidade, e só os cidadãos é que podiam participar das decisões com relação ao destino da cidade. Esse tipo de organização chamava-se demo ("povo") + cracia ("governo". Mas, por mais que dissessem que era "governo do povo", na realidade o povo mesmo não participava, pois não participavam os escravos nem os chamados "pelegrinos", isto é, moradores estrangeiros, gente que viera de fora. Participava só uma pequena elite.
Não temos noticia da participação efetiva e direta de Paulo na vida politica ou pública de sua cidade. Mas o que sabemos é que ele participava ativamente na vida e na organização da comunidade a que pertencia. Por exemplo, antes da conversão, ele chegou a ser delegado oficial do Sinédrio para Damasco (cf. At 9,1-2 - "1. Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes,2. e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.) Alguns estudiosos acham que Paulo foi membro do Sinédrio, isto é, do Supremo Tribunal da comunidade judaica. Depois de sua conversão, Paulo participava intensamente da vida das comunidades cristãs a ponto de ser indicado como responsável entre os pagãos ( cf. Gl 2,7-9 -"7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircunciso me era confiada, como a dos circunciso a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circunciso, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo.).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

14° Questionamento Feito a Paulo.

14º - Qual seu salário? É suficiente para viver? Tem outra fonte de renda?



Ao que tudo indica, o salário de Paulo não deve ter sido alto, pois ele tinha que trabalhar "dia e noite" para poder viver sem depender dos outros (cf 1Ts 2,9; 2Ts 3,8- "nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós."). Ele fala de cansaço, provocado pelo trabalho manual (cf 1Cor 4,12- "fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos!). e de "vigílias" (isto é Horas extras) (cf. 2Cor 6,15; 11,27- "Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!) Vivia como "indigente" (cf. 2Cor 6,10- "Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!) .

Um dos motivos do salário insuficiente é o fato de Paulo estar sempre viajando e não ter um domicilio fixo. Por isso, não conseguia montar uma oficina própria com clientela estável, nem criar nome de bom profissional que pudesse atrair os compradores de tendas e outros artigos de couro. Na maioria dos lugares por onde passou, ele deve ter vivido de algum emprego, conseguido numa das oficinas que costumavam ficar perto do mercado.

Em Corinto, teve a sorte de ter encontrado Áquila e Priscila, em cuja oficina conseguiu um emprego (cf At 18,3 - "Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.). Em Éfeso, onde passou três anos, ao que parece, não teve tanta sorte, pois lá escrevia aos corintios: "Fatigamos-nos trabalhando com as próprias mãos"( 1Cor 4,12). Ainda em Éfeso, Paulo "ensinava diariamente na escola de um tal Tiranos" (cf At 19,9 - "Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano.") Um manuscrito antigo, chamado: textus occidentalis, diz que o ensinamento diário era feito "entre a quinta e a décima hora", isto é, entre onze horas da manhã e quatro horas da tarde, ou seja durante a hora do almoço e do descanso. O resto do tempo, ele tinha que trabalhar na oficina, desde cedo da manhã até tarde da noite (cf 1Ts 2,9; 2Ts 3,8).

Outras fontes de renda Paulo não tinha, a ser a ajuda que recebia da comunidade de Filipos (cf. Fl 4,15 - " Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente.") Quando necessário ele sabia fazer a coleta e pedir dinheiro, não para , mas para os outros, os pobres de Jerusalém. Realizava, assim a partilha (cf. 1Cor 16,1-4 - "Quanto à coleta em benefício dos santos, segui também vós as diretrizes que eu tracei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas. Quando chegar, enviarei, com uma carta, os que tiverdes escolhido para levar a Jerusalém a vossa oferta. Se valer a pena que eu também vá, irão comigo.")..

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

13°- Questionamento feito a Paulo.

13° - Paulo por quê você insiste tanto no valor do "trabalho com as próprias mãos"?



Na sociedade helenista, trabalhar com as próprias mãos era visto como trabalho de escravo e impróprio para um homem livre. O ideal da cultura dos gregos era uma vida intelectual sem trabalho manual. Daí que os outros missionários, filósofos e professores ambulantes, cultivando o ideal da época, não trabalhavam com as próprias mão se eram sustentados pela comunidade.

A comunidade por sua vez os acolhia de bom grado, pois via neles um símbolo do Ideal que todos queriam atingir. Embora alimentado por todos e para todos, esse ideal era apenas para uma pequena elite.

Paulo rompe com o ideal cultivado pela sociedade e pela cultura helenista. Pois ele insiste em querer sustentar-se através do trabalho manual: "Vocês sabem como devem imitar-nos: nós não ficamos sem fazer nada quando estivemos entre vocês, nem pedimos a ninguém o pão que comemos; pelo contrário, trabalhamos com fadiga e esforço, noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vocês. Não porque não tivéssemos direito a isso, mas porque nós quisemos ser um exemplo´para vocês imitarem"(2Ts 3,7-9).

Apresentando-se ao povo como um missionário que vive do trabalho de suas próprias mãos, Paulo faz com que o Evangelho entre por uma porta diferente provoque uma ruptura na via do povo e lhe apresente um novo ideal de vida. Ele escreve aos membros da comunidade de Tessalônica: "Empenhem a sua honra em levar uma vida tranquila, ocupando-se das suas próprias coisas e trabalhando com as próprias mãos. Assim levarão uma vida honrada aos olhos dos de fora e não passarão mais necessidades de coisa alguma"(1Ts 4,11-12). Como entender o significado dessas palavras de Paulo?

A grande massa urbana daquele tempo era de escravos. Vivia na necessidade, na pobreza, na escravidão. Foi sobretudo no meio desse povo que surgiam as primeiras comunidades cristãs do mundo helenista( cf. 1Cor 1,26- "Vede, irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres.") O ideal de vida daquela época, alimentado pela ideologia dominante, estava fora do alcance do povo fora de suas possibilidades, pois eram prisioneiros de sua condição de trabalhadores assalariados e escravos. Jamais poderiam subir e alcançar o ideal de uma vida sem trabalho manual. Ora, nesse texto, Paulo não propões um ideal distante, mas faz saber que para ele a saída está neles mesmos: ocupar de suas próprias coisas e trabalhar com suas próprias mãos. Este é o caminho para o povo poder sair da pobreza e chegar a uma situação em que não passarão mais necessidades de coisa alguma. O ideal, a vida honrada, já não é a vida do intelectual que não trabalha com as próprias mãos, mas é a vida do próprio povo trabalhador. Trabalhar com as próprias mãos, que antes era um sinal de escravidão e motivo de vergonha, agora se torna fonte de vida honrada, não só para os membros da comunidade mas até aos os olhos de fora!

Paulo deu exemplo (Cf. 1Ts2,9; 2Ts 3,7-9; At. 20,34-35; 1Cor 4,12-"fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos!").

Ele era um homem livre que não precisava trabalhar como um escravo. Como missionário ambulante, ele poderia ser sustentado pela comunidade, e a comunidade o aceitaria de bom grado. Mas ele recusou esse direito (cf 1Cor 9,15-"Mas não tenho usado de nenhum desses direitos; e nem escrevo isto para reclamá-los. Preferiria morrer a... Mas ninguém me tirará este título de glória.") Fez questão de trabalhar com as próprias mãos. Desse modo,ajudava os irmãos pobres a quebrar a ideologia dominante e a perceber onde estava a fonte da verdadeira honradez. E foi exactamente nesse ponto que Paulo recebeu os maiores ataques dos outros missionários que não chegavam a entender sua atitude e que pensavam mais de acordo com a ideologia dominante (cf. 1Cor 9,1-18; 2Cor 11,7-15).
Resumindo: o trabalho ocupa um lugar centra na vida de Paulo. Através do trabalho, ele se tornou um exemplo vivo e ajudava as comunidades a compreender que era precisamente em sua condição de trabalhadores e escravos que estava a base para poder criar uma situação nova em que o povo já não passasse necessidade.