Paulo escrevendo.

Paulo escrevendo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

34° - Questionamento feito a Paulo.

34º - Paulo, além de brigar com barnabé, você brigou também com Pedro. Foi pelo mesmo motivo?

     Na pergunta anterior, explicamos porque motivo Paulo brigou com Barnabé. Paulo brigou também com Pedro, mas não foi pelo mesmo motivo. A crise mais profunda das primeiras comunidades surgiu por ocasião da entrada dos pagãos na Igreja. No começo, ninguém pensava em converter os pagãos. Só se anunciava Evangelho aos judeus (cf. At 11,19 "19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus.").
     Caso um pagão quisesse entrar na Igreja, aplicava-se o costume antigo. Desde séculos, quando um pagão se convertia ao Deus de Israel. ele devia assumir também todos os compromissos da Aliança que Deus tinha firmado com o seu povo, a saber, a observância da Lei de Moisés, a circuncisão, os costumes das normas da pureza etc. Essa era a teoria antiga que continuava em vigor, aceita por todos. Mas a prática dos Cristãos correu na frente da teoria e modificou o quadro.
     Em Antioquia, os cristãos, todos eles judeus convertidos, fugidos de Jerusalém na época da grande perseguição, começaram a falar de Jesus também aos pagãos (cf. At 11,19-20 "19. Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus. 20. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus.") E diz o livro dos Atos: "A mão do Senhor estava com eles, e bom número abraçou a fé e converteu-se ao Senhor" (At 11,21). Fato consumado! Os pagãos, entraram sem passar pelas observancias judaicas! Aí surgiu o problema teórico "Se não fossem circuncidados como ordena a lei de Moisés, vocês não poderão salvar-se" (At 15,1).
     Dividiu-se a Igreja! Um Grupo, concentrado em Antioquia, tomou a defesa da entrada direta dos pagãos, sem passar pela observância da lei de Moisés. Paulo e Barnabé faziam parte desse grupo. Outro grupo, concentrado em Jesrusalém dizia o contrário: É preciso circuncidar os pagãos e impor-lhes a observancia da lei de moisés" (At 15,5). Convocou-se uma reunião, um Concilio, para resolver o problema e decidir a questão (cf. At 15,6 "6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão.")
     O concilio decidiu em favor da entrada dos pagãos, sem a imposição da lei de Moisés e da circuncisão. A decisão estava baseda na prática, nos fatos e na experiencia. A prática: Tudo aquilo que acontecera nas viagens de Paulo e Barnabé (cf. At 15,3-4.12 "3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria. 4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles. 12. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios."); os fatos: a conversão de Cornélio e o seu batismo por Pedro (cf At 15,7-9 " 7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.
8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós.
9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações.")
;a experiencia: a incapacidade sentida pelos judeus de conseguirem a justiça através da observancia da lei (cf At 15,10 "10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?") Foi desse modo que o Concilio releu e atualizou a teoria antiga e chegou aconclusão: "É pela graça do senhor que aceditamos ser salvos" (At 15,11).

       A decisão do Concilio foi um marco importante na história das primeiras comunidades. Mas nem todos entenderam o seu alcance. Alguns se apegavam à letra do documento conciliar (cf At 15,23-29 " 23. Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: "Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde!24. Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência.25. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo,26. homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.27. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas.28. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável:29. que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus!) e negavam seu espirito.
Ora, é dentro desse contexto das tenções pré conciliares, que vai aparecer a briga de Paulo com Pedro.
     Certa vez, Pedro chegou de visita à comunidade de Antioquia. Fiel ao espirito do Concilio, vivia com todo mundo sem fazer distinção entre pagãos e judeus; (cf. Gl 2,12 " 12. Pois, antes de chegarem alguns homens da parte de Tiago, ele comia com os pagãos convertidos. Mas, quando aqueles vieram, retraiu-se e separou-se destes, temendo os circuncidados.") A essa altura chegou de Jerusalém um grupo mais conservador de judeus convertidos que não se misturava com os pagãos. Com medo das criticas desse grupo, Pedro se afastou dos pagãos (cf. Gl 2,12 " 12. Pois, antes de chegarem alguns homens da parte de Tiago, ele comia com os pagãos convertidos. Mas, quando aqueles vieram, retraiu-se e separou-se destes, temendo os circuncidados.") A mundabça no comportamento de Pedro levou muita gente a fazer o mesmo "Até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia" (Gl 2,13). Foi um impacto muito grande na comunidade. Por causa dessa atitude de Pedro, os pagãos ficavam com a impressão de serem cristãos de segunda categoria. Cristão mesmo, cem por cento, de primeira categoria, seria só ojudeu convertido que observava a lei de Moisés! Fiel à letra do Concílio, Pedro, sem se dar conta, negava o seu espirito na prática. O seu conportamento era "digno de censura (Gl 2,11).
     Quando Paulo percebeu a gravidade da situação, reagiu fortemente e brigou com Pedro. Ele mesmo descreve o fato: "Quando vi que eles não estavam agindo direito conforme a verdade do Evangelho, eu disse a pedro, na frente de todos: "Voce é judeu, mas já viveu como os pagãos e não como os judeus. Como então pode, agora, obrigar os pagãos a viverem como judeus?" (Gl 2,14). 
     A reação de Paulo revela a profundidade da experiencia que ele teve no caminho de Damasco. Foi lá qu ele experimentou, de um lado, a propria incapacidade de atingir a justiça pela observancia da lei e, do outro, a misericordia de Deus que o acolhia de graça e lhe comunicava a justiça pel fé em Jesus Cristo. Reagindo contra Pedro, Paulo, de certo modo estava defedendo a experiencia que teve de Deus no caminho de Damasco, e tirava uma lição para a vida de toda a Igreja.








segunda-feira, 13 de agosto de 2012

33º - Questionamento feito a Paulo.

33° - Você brigou com Barnabé no começo da segunda viagem missionária. Por quê?

     João Marcos, sobrinho de Barnabé, acompanhou Paulo e Barnabé na primeira viagem, mas os abandonou na metade do caminho (cf. At 13,13 "13. Paulo e os seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.') Quando Paulo convidou Barnabé para uma segunda viagem, este quis que João Marcos fosse junto outra vez (cf At 15,37 "37. Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos."). "Mas Paulo era de opinião que não se devia levar junto aquele que os havia abandonado na Panfilia e não os acompanhara no trabalho" (At 15,38). Foi aí que os dois brigaram e se separaram, um do outro, por causa de Marcos (cf. At. 15,38-40 "38. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília e não os havia acompanhado no ministério. 39. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre. 40. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à graça do Senhor, partiu. Ele percorreu a Síria, a Cilícia, confirmando as comunidades.").
     Mais tarde houve a reconciliação. Paulo tornou-se, novamente amigo de Marcos e reconheceu o valor dele para o anuncio do Evangelho, pois ele escreve a Timóteo: "Procure Marcos e traga-o com você, porque ele pode ajudar-me no ministério"(2Tm 4,11). E na primeira carta aos corintios, Barnabé é lembrado como companheiro fiel e exemplar de Paulo (cf. 1Cor 9,6).   






terça-feira, 31 de julho de 2012

32° - Questionamento feito a Paulo.

32º - Qual foi a razão última que levou você a aceitar Jesus como Messias?

Houve o encontro na estrada de Damasco que derrubou Paulo e o deixou cego durante três dias. Foi a experiência mais forte e mais duradoura da sua vida. No entanto, não foi só isso que o levou a aceitar Jesus e reconhecê-lo como Messias. Dentro dessa experiência, única e avassaladora, brilhou para Paulo a certeza de que Jesus é o sim de Deus à promessas feitas ao povo passado (cf 2Cor 1,20 “20. Porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos Amém à glória de Deus.”)

Com outras palavras, aceitando Jesus como Messias, Paulo não estava sendo infiel ao seu povo, nem estava deixando de ser judeu, mais tornava-se mais judeu ainda; No fundo, foi a vontade de ser fiel ao seu povo e às suas esperanças, suscitadas pelas promessas de Deus, que o obrigava a aceitar Jesus como Messias. A sua fidelidade a Cristo e a sua experiência de Cristo de um lado, e a sua fidelidade ao seu povo e a sua experiência de povo do outro eram, como dois lados da mesma moeda.

Paulo nunca se sentiu traidor do seu povo, por mais que o acusassem disso. Ao contrário, vivendo em Cristo, sentia-se mais judeu do que antes, possuidor da esperança do seu povo. Era a fidelidade ao Antigo Testamento que o levou a aceitar o Novo Testamento.



31° - Questionamento feito a Paulo.

31° - Como foi a entrada de Jesus e em sua vida? Qual o significado e o alcance que a experiência na estrada de Damasco teve para você?

     A entrada de Jesus foi o divisor de águas. A vida de Paulo se divide em antes e depois da experiência na estrada de Damasco. Os fenômenos externos que acompanharam o processo interno da conversão e os termos e comparações usados para descreve-la sugerem que a entrada de Jesus na vida de Paulo não foi uma brisa leve e tranquila, mais uma tempestade violenta, repentina. Ela sacudiu tudo e atingiu as fundações da sua existência. Faz desmoronar todo um mundo, uma tradição antiga, montada desde séculos, e fez aparecer um novo começo.
     Deus não lhe pediu licença. Entrou sem mais e jogou Paulo no chão (Cf. At. 9,4; "4. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" 22,17; "7. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?") Quando levantou estava cego, e cego ficou durante três dias (cf. At 9,8-9 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9. onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.").
     Apesar de ser o guia do grupo, Paulo teve que ser guiado pelos próprios súditos (cf At 9,8 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,"). Ele mesmo diz que o nascimento dele para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de maneira forçada e violenta através de um aborto (cf 1Cor 15,8 "8. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo.") Paulo não estava esperando fui "apanhado!" (Fl 3,12). Mesmo assim depois que tudo aconteceu, teve que reconhecer que era essa a sua vocação desde sempre. Foi para isso que Deus o havia separado e colocado à parte , desde o seio materno (cf. Gl 1,15 "15. Mas, quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça,"). Paulo o viveu como sendo seu destino a sua vocação, a sua missão. Uma quase fatalidade, da qual já não podia escapar: o seu destino passou a ser anunciar o Filho de Deus entre os pagãos (Cf. Gl 1,16 "16. para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios, imediatamente, sem consultar a ninguém".) Era uma necessidade para ele: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1Cor 9,16). Ao mesmo tempo, ele viveu aquela hora como um momento de misericórdia por parte de Deus. Deus o acolheu, quando ele mesmo era insolente e perseguidor (cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.") Foi o momento que super abundou nele a graça de Deus (cf 1Tm. 1,14 "14. E a graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo."). Foi assim que Cristo o formou para o serviço (cf 1Tm 1,12 "12. Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério,").
     Para Paulo, o viver era Cristo (cf. Fl 1,21 "21. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."). Já não era ele que vivia, mas Cristo nele (cf. Gl 2,20 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim."). Paulo sabia que era amado: "Ele amou e se entregou por mim!" (Gl 2,20). Daquele ponto em diante, ele já não queria saber de outra coisa a não ser Jesus crucificado (cf. 1Cor 2,2 "2. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.") Queria completar na sua própria carne o que faltava na Paixão de Cristo (cf. Cl 1,24 "24. Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.") Por amor a Jesus, largou tudo para poder possui-lo e ser encontrado nele (cf. Fl. 3,8-9 "8. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo
9. e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé.). Participou da Paixão de Cristo para poder experimentar a sua Ressurreição (cf Fl 3,10-11 "10. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte,11. com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos.) Trazia a agonia de Jesus no corpo, para que se manifestasse nele a vida (cf 2Cor 4,10-12; "10. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. 11. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. 12. Assim em nós opera a morte, e em vós a vida.; Gl 6,17 "17. De ora em diante ninguém me moleste, porque trago em meu corpo as marcas de Jesus."). Paulo vivia uma total identificação com Jesus morto e ressuscitado.
 
     Por causa dessa experiencia de Cristo morto e ressuscitado, tudo mudou na vida de Paulo: de livre virou escravo, de honrado virou expulso, de rico virou pobre! Por causa do amor de Cristo suporta tudo e vive entregue, dia e noite (cf. 1Cor 13,4-6 "4. A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. 5. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. 6. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade."). Um novo critério invadiu sua vida: a graça libertadora de Deus tomou forma concreta em Jesus, "que amou e se entregou por mim" (Gl 2,20).

















































terça-feira, 24 de julho de 2012

30º - Questionamento feito a Paulo.

30º- Paulo, porque você aprovou a morte de Estevão e perseguiu os Cristãos?

     Paulo Procurava atingir a justiça através da observancia da lei (cf. Fl 3,5-6 "5. circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu;6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.") . A sua Vida e a vida do seu povo estavam organizadas e estruturadas, desde séculos, em torno das exigências da Aliança, o povo alcançaria a justiça, seria justo. Essa era a teoria, a doutrina ensinada ao povo. A prática, porém era outra.
     Na prática, Paulo experimentava dolorosamente que ele, apesar de todo o seu esforço, não era capaz de cumprir tudo o que a lei mandava. O seu esforço não bastava para alcançar a justiça. Paulo continuava em falta com Deus e não alcançava a paz da consciencia. Queria fazer o bem e não conseguia (cf. Rm 7,14-24 "14. Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. 15. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. 16. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. 17. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. 18. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. 19. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. 20. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. 21. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. 22. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. 23. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. 24. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?.."). Mesmo assim apesar da prática deficiente, ninguém duvidava da exatidão da doutrina ensinada pelos fariseus.
     O testemunho de Estevão, porém, abalou na raiz este mundo de Paulo e questionou radicalmente a exatidão do caminho que ele seguia para alcançar a justiça e a paz com Deus. Na hora de morrer apedrejado, Estevão disse: "Vejo os céus abertos e o Filho do Homem de pé a direita de Deus" (At 7,56). Nesse testemunho, Estevão dava prova de estar na presença de Deus e de ser acolhido por ele, tranquilo, em paz com a própria consciencia, e, portanto, de possuir a justiça que Paulo procurava e não alcançava. E mais: Estêvão possuía a justiça não como resultado da observancia da Lei, mas como um dom gratuito de Deus; o mesmo Jesus que, alguns anos atrás, tinha sido condenado como herético e blasfemo pela suprema autoridade dos judeus e morrera vergonhosamente numa cruz!
     Este testemunho tão breve e tão simples era a negação radical do ideal de justiça de Paulo. Ou Estevão, ou Paulo! Os dois não podiam ser verdadeiros ao mesmo tempo. Eram dois caminhos totalmente diferente, dois mundos opostos ou um ou outro!
     Paulo estava convencido de que seu caminho era o caminho certo. Para ele, o caminho de Estevão era falso e corruptor dos bons costumes. Por isso, aprovou a morte de Estevão e começou a perseguir os cristão. Agia por ignorância (Cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.')Pensava estar prestando um serviço a Deus em defesa da tradição dos pais. Mais no fundo, quem sabe, se Paulo procurava calar a voz de Estevão e dos Cristãos, era porque queria abafar a voz da própria consciencia que começava a incomoda-lo. Paulo estava fugindo de sí mesmo e de Deus, até que Deus interveio e o derrubou na estrada de Damasco.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

29º - Questionamento feito a Paulo.

29º- Paulo, qual o lugar que a religião ocupa em sua vida? 

Paulo sempre foi profundamente religioso, tanto antes como depois da sua conversão para Cristo. Antes da conversão, ele vivia conforme a lei e a esperança de seu povo (cf. At 24,14-15 "14.Reconheço na tua presença que, segundo a doutrina que eles chamam de sectária, sirvo a Deus de nossos pais, crendo em todas as coisas que estão escritas na lei e nos profetas. 15. Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecador"; 22,3 "3. Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje."; 26,6-7 "6. Mas agora sou acusado em juízo, por esperar a promessa que foi feita por Deus a nossos pais,7. e a qual as nossas doze tribos esperam alcançar, servindo a Deus noite e dia. Por essa esperança, ó rei, é que sou acusado pelos judeus.") identificado com o ideal da religião de seus pais. Na prática da religião, ele seguia o grupo mais observante, que era o grupo dos fariseus (cf. At. 26,5). Ele mesmo confessa que era irrepreensível na mais estrita observancia da lei (cf. Fl 3,6 "6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.) Paulo era um homem de zelo (cf. Fl. 3,6 "6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível"; At 22,3 "3. Continuou ele: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje."), "zelo pelas tradições paternas" (Gl 1,14).Para defender a tradição dos pais chegou a perseguir os cristãos (cf. At 26,9 " 9. Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao nome de Jesus de Nazaré."; 22,4 "4. Eu persegui de morte essa doutrina, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres.Gl 1,13 "13. Certamente ouvistes falar de como outrora eu vivia no judaísmo, com que excesso perseguia a Igreja de Deus e a assolava;
    Era na vivência fiel dessa religião dos pais que paulo procurava a sua segurança junto de Deus. O testemunho de Estevão, porém, abalou-o profundamente. Foi o começo da mudança.
     A conversão para Cristo significou uma mudança profunda na vida de Paulo, mas não significou uma mudança ou troca de Deus. Pelo contrário! Paulo continuou fiel ao mesmo Deus de sempre, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de jacó. A diferença profunda entre ante e depois é que, agora, ele não coloca a sua segurança na observãncia da Lei, mas no amor gratuiro de Deus por ele, manifestado e experimentado em Jesus (cf Gl. 2,20-21 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. 21. Não menosprezo a graça de Deus; mas, em verdade, se a justiça se obtém pela lei, Cristo morreu em vão."). É na certeza absoluta desse amor que está o fundamento último da nova segurança que encontrou junto de Deus (cf. Rm 8,31-39 " 31. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32. Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? 33. Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34. Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós! 35. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? 36. Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). 37. Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. 38. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos). 





































terça-feira, 3 de julho de 2012

28° - Questionamento feito a Paulo.

28º- O que lhe causou mais tristeza na vida?

Paulo teve muitas tristezas e problemas na vida. Ele as enumera na Segunda Carta ao Corintios (cf. 2Cor 11,23-29 "23. São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto.24. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um.25. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo.26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!27. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!28. Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas!29. Quem é fraco, que eu não seja fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor?") Teve tristezas nas comunidades, sobretudo em Corinto. Mas a tristeza maior parece ter sido a recusa de seus irmãos, os judeus, de crer em Jesus e de aceita-lo como o messias prometido e esperado. A isso ele se refere quando diz: "tenho uma grande tristeza, uma dor incessante no coração" (Rm 9,2). Ele chega a dizer que gostaria de ser "separado de Cristo", se com isso pudesse ganhar os seus irmãos para Cristo(cf. Rm. 9,3). Estevão questionou Paulo e conseguiu leva-lo a conversão. Paulo, uma vez convertido, questionou os outros judeus, mas não conseguiu leva-los à conversão. Pelo contrário, provocou a raiva deles a ponto de ser perseguido por eles com ódio de morte, pois nãoo perdoavam de, como eles diziam, ter se levantado contra o povo, contra a lei e contra o templo (cf. At. 21,28; cf. tb. At. 9,23; 21,31; 23,12; 25,3).
Outro sofrimento muito grande de Paulo, vinha dos "falsos irmãos" (cf. 2Cor. 11,26 "26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!").ou "falsos apostolos" (cf. 2Cor. 11,13 "13. Esses tais são falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo"). Os "falsos irmãos" eram judeus convertidos que não concordavam com a abertura de Paulo com relação a entrada de pagãos na Igreja. Eles achavam que os pagãos, ao entrarem na comunidade, deviam obsevar toda a lei e praticar a circuncisão (cf. At 15,1-10"1. Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos. 2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém. 3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria. 4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles. 5. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. 6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão. 7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. 9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações. 10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar.; Gl 6,12-13 "12. Os que vos obrigam à circuncisão são homens que se querem impor, só para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13. Pois nem os próprios circuncisos observam a lei. E se fazem questão de que vos mandeis circuncidar, é para terem motivo de se gloriarem na vossa carne.). Por isso, procuravam solapar a base do trabalho de Paulo, dizendo que a sua pregação não tinha a aprovação dos apóstolos (cf. Gl 2,1-10 "1. Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito comigo.2. E subi em conseqüência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente aos que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão. 3. Entretanto, nem sequer meu companheiro Tito, embora gentio, foi obrigado a circuncidar-se.4. Mas, por causa dos falsos irmãos, intrusos - que furtivamente se introduziram entre nós para espionar a liberdade de que gozávamos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar -, 5. fomos, por esta vez, condescendentes, para que o Evangelho permanecesse em sua integridade.6. Quanto aos que eram de autoridade - o que antes tenham sido não me importa, pois Deus não se deixa levar por consideração de pessoas -, estas autoridades, digo, nada me impuseram. 7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circuncisos a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circuncisos, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo:10. iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados. Recomendaram-nos apenas que nos lembrássemos dos pobres, o que era precisamente a minha intenção.)  Obrigaram Palo a fazer sua defesa (cf. 2Cor 11,12 "12. Mas o que faço, continuarei a fazer, para cortar pela raiz todo pretexto àqueles que procuram algum pretexto para se envaidecerem e se afirmarem iguais a nós.). Se Paulo se defende não é por causa dele mesmo, mas por causadas comunidades por ele fundadas.









quarta-feira, 27 de junho de 2012

27º - Questionamento feito a Paulo

27º - Como você se distrai e se diverte? tem algum passatempo? é admirador de algum esporte?

É dificil saber o que o divertia e distraia. Durante toda sua vida, sobretudo depois de sua conversão, aquilo que o ocupava e o dilatava por dentro era o que ele chamava a agápe, o "amor" (cf. 1Cor 13,1-13 ". Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.2. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. 3. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!4. A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante.5. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.6. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. 7. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8. A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. 9. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. 10. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. 11. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. 12. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.13. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.") Por esse amor, permitia que o outro, a comunidade, entrasse dentro dele, ocupasse  todo o espaço, morasse ali dentro como o dono real da casa e o distraisse de si mesmo, de seu próprio centro, para o bem, estar dos outros.
No fim da vida, já depois dos 50 anos de idade, aquilo que mais o ocupava e preocupava po dentro era a "solicitude por todas as comunidades" (2Cor 11,28 "Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas!) Ele não deve ter tido muito tempo nem ocasião para se divertir. É dificil saber se tinha algum passatempo. Nas horas livres e nas horas de trabalho na oficina ou no mercado, ele discutia o assunto da Boa-Nova de Jesus com o pessoal. (Cf. At. 17,11.17 "11.Estes eram mais nobres do que os de Tessalônica e receberam a palavra com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim.17 Disputava na sinagoga com os judeus e prosélitos, e todos os dias, na praça, com os que ali se encontravam.)
Mesmo assim, há alguma coisa nas cartas que nos revela o gosto e a preferencia de Paulo. Quando menino, ele deve ter gostado muito de assistir as corridas no estádio da cidade, pois delas ele continuava falando, até depois de velho, mesmo para comparar a mensagem do Evangelho e suas exigencias para a vida (cf. Gl 2,2: "2 E subi em conseqüência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente aos que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão." Gl 5,7:"Corríeis bem. Quem, pois, vos cortou os passos para não obedecerdes à verdade?" 1Cor 9,24-26; Fl 2,16; 3,12-14; 2Tm 4,7; Hb 12,1).
Paulo foi nascido e criado em cidade grande. Tarso tinha mais ou menos 300 mil habitantes. Uma cidade assim tinha seu estádio de esportes e organizava seus jogos de atletismo, a cada quatro anos: corridas, lutas, lançamentos de discos etc. Paulo pode não saber muito de roças e de plantas, mas ele entende de jogos urbanos. As comparações que ele usa são quase todas tiradas dos jogos e ele supoe que seus leitores as entendam: Ganhar a Coroa (cf. 1Cor 9,25 "Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível.), perseguir o alvo (cf. Fl 3,14 "14. persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.)alcançar o prêmio (cf Fl 3,14), lutar sem soltar soco no ar(cf. 1Cor 9,26), correr na direção certa (cf 1Cor 9,26). Ele fala em "luta" e "combate" (2Tm 4,7), em "pugilato" (cf. 1Cor 9,26). Conhece o esforço e a disciplina dos atletas (cf. 1Cor. 9,25). Provavelmente, mesmo depois de velho, ele acompanhava jogos e, quem sabe, torcia por algum time! 























sexta-feira, 25 de maio de 2012

26º - Questionamento Feito a Paulo

26º - Dizem que você é uma pessoa doente. É verdade? Como vai de saúde?

Paulo deve ter tido uma saúde de ferro para poder levar a vida que levou. Dos 40 aos 60 anos de idade, viajava a pé pelo mundo, percorrendo ao todo mais de 15 mil quilômetros, suportando canseiras, prisões, açoites, perigos de morte, flagelações, apedrejamento, naufrágios, perigos nas estradas, nos rios, nas serras, perigos por parte dos judeus e por parte dos falsos irmãos, a preocupação constante pelas comunidades, sem contar o trabalho profissional como fabricante de tendas de manhã até a noite, com salário minguado que o deixava com fome e sede e o obrigava a fazer vigílias e horas extras. Isso só é possivel para quem tem uma boa saúde. Ele mesmo conta isso na Segunda Carta aos Corintios (cf. 2Cor 11,23-28 "23. São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto. 24. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. 25. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. 26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!   27. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez! 28. Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas!")
Mesmo assim, durante a segunda viagem missionária, a doença apareceu na vida de Paulo e o obrigou a fazer uma parada forçada na Galacia da Asia Menor (cf. Gl 4,13 "13. Estais lembrados de como eu estava doente quando, pela primeira vez, vos preguei o Evangelho") Ele aproveitou da ocasião para anunciar o Evangelho aos habitantes da regiãoe, assim, contribuiu para que surgisse a comunidade dos gálatas. Tratava-se, provavelmente, de uma doença nos olhos, pois, como ele mesmo diz na carta os gálatas queriam até "arrancar os próprios olhos para dá-los a Paulo" (cf. Gl 4,15 "15. Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Asseguro-vos que, se possível fora, teríeis arrancado os vossos olhos para mos dar!") Alguns exegetas acham que o misterioso "aguilhão na carne", de que fala na Segunda Carta aos Corintios (cf. 2Cor 12,7"7. Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade.") teria sido uma doença. É dificil saber o que era na verdade Paulo não o explica.
O fato de Paulo mostrar-se preocupado com a saúde dos companheiros e de recomendar a Timóteo que bebese um pouco de vinho por causa do estomago e das frequentes fraquezas (cf. 1Tm 5,23 "23. Não continues a beber só água, mas toma também um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes indisposições.") revela uma pessoa realista que sabia apreciar o imenso dom de uma boa Saúde. 




Add caption
São Paulo Descansando..





quarta-feira, 23 de maio de 2012

25° - Questionamento feito a Paulo.

25° - Quantas vezes você ja esteve preso, onde e porquê?

Paulo foi preso várias vezes: em Filipos (cf. At-16,23 " 16. Certo dia, quando íamos à oração, eis que nos veio ao encontro uma moça escrava que tinha o espírito de Pitão, a qual com as suas adivinhações dava muito lucro a seus senhores. 17. Pondo-se a seguir a Paulo e a nós, gritava: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação. 18. Repetiu isto por muitos dias. Por fim, Paulo enfadou-se. Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu. 19. Vendo seus amos que se lhes esvaecera a esperança do lucro, pegaram Paulo e Silas e levaram-nos ao foro, à presença das autoridades. 20. Em seguida, apresentaram-nos aos magistrados, acusando: Estes homens são judeus; amotinam a nossa cidade. 21. E pregam um modo de vida que nós, romanos, não podemos admitir nem seguir. 22. O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas. 23. Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança."), em Jerusalém (cf. At - 21,33 "33. Aproximando-se então o tribuno, prendeu-o e mandou acorrentá-lo com duas cadeias. Perguntou então quem era e o que havia feito.") em Cesaréia (cf. At 23,23), em Roma (cf. At 28,20 "20. Por esse motivo, mandei chamar-vos, para vos ver e falar convosco. Porquanto, pela esperança de Israel, é que estou preso com esta corrente."). Além disso, ele deve ter sofrido uma prisão muito pesada em Éfeso, de onde mandou cartas para os Filipenses (cf Fl 1,13 "13. Em todo o pretório e por toda parte tornou-se conhecido que é por causa de Cristo que estou preso."), para os Colossenses (cf Cl 4,18 "18. Minha saudação, de próprio punho: PAULO. Lembrai-vos das minhas cadeias. A graça esteja convosco!"), e talvez Filêmon (cf Fm 9,13 "13. Quisera conservá-lo comigo, para que em teu nome ele continuasse a assistir-me nesta minha prisão pelo Evangelho."). A prisão em Éfeso foi tão pesada, que ele chegou a perder a esperança de sobreviver (cf. 2Cor 1 8-9 "8. Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia. Fomos maltratados ali desmedidamente, além das nossas forças, a ponto de termos perdido a esperança de sair com vida.  9. Sentíamos dentro de nós mesmos a sentença de morte, para que aprendêssemos a pôr a nossa confiança não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos."). Foi como "uma luta contra animais selvagens" (Cf. 2Cor 11,23 "23. São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto.").

O motivo aduzido pelos adversários para pendê-lo nem sequer era o mesmo. Em Filipos, a acusação diz a propósito de Paulo e Silas "estes homens estão provocando a desordem em nossa cidade; sao judeus e pregam costumes que a nós, romanos, não é permitido aceitar nem seguir" (cf At 16,20-21). Em Jerusalém, os judeus gritavam ao povo contra Paulo: " Israelitas, socorro este é o homem que anda ensinando a todos e por toda a parte contra o nosso povo, contra a Lei e contra este lugar. Além disso ele trouxe gregos para dentro do templo profanando este santo lugar" (cf At 21-28). Em Cesaréia , o governador recebeu a seguinte escrita do oficial romano de Jerusalém a respeito de Paulo: "Verifiquei que ele era incriminado por questoes referente a lei que os rege, não havendo nenhum crime que justificasse morte ou prisão" (At. 23,29). E diante do tribunal a acusação dos próprios judeus dizia: "Verificamos que este homem é uma peste: ele promove conflitos entre os judeus do mundo inteiro e é também um dos líderes da seita dos nazareus. Ele tentou inclusive profanar o templo por isso, o prendemos" (cf At 24,5-6).

Apesar de Preso, Paulo continuava livre: escrevia cartas e anunciava o Evangelho "com firmeza e sem impedimento" (At 28,31).