Ao que tudo indica, o salário de Paulo não deve ter sido alto, pois ele tinha que trabalhar "dia e noite" para poder viver sem depender dos outros (cf 1Ts 2,9; 2Ts 3,8- "nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós."). Ele fala de cansaço, provocado pelo trabalho manual (cf 1Cor 4,12- "fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos!). e de "vigílias" (isto é Horas extras) (cf. 2Cor 6,15; 11,27- "Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!) Vivia como "indigente" (cf. 2Cor 6,10- "Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!) .
Um dos motivos do salário insuficiente é o fato de Paulo estar sempre viajando e não ter um domicilio fixo. Por isso, não conseguia montar uma oficina própria com clientela estável, nem criar nome de bom profissional que pudesse atrair os compradores de tendas e outros artigos de couro. Na maioria dos lugares por onde passou, ele deve ter vivido de algum emprego, conseguido numa das oficinas que costumavam ficar perto do mercado.
Em Corinto, teve a sorte de ter encontrado Áquila e Priscila, em cuja oficina conseguiu um emprego (cf At 18,3 - "Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.). Em Éfeso, onde passou três anos, ao que parece, não teve tanta sorte, pois lá escrevia aos corintios: "Fatigamos-nos trabalhando com as próprias mãos"( 1Cor 4,12). Ainda em Éfeso, Paulo "ensinava diariamente na escola de um tal Tiranos" (cf At 19,9 - "Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano.") Um manuscrito antigo, chamado: textus occidentalis, diz que o ensinamento diário era feito "entre a quinta e a décima hora", isto é, entre onze horas da manhã e quatro horas da tarde, ou seja durante a hora do almoço e do descanso. O resto do tempo, ele tinha que trabalhar na oficina, desde cedo da manhã até tarde da noite (cf 1Ts 2,9; 2Ts 3,8).
Outras fontes de renda Paulo não tinha, a nã ser a ajuda que recebia da comunidade de Filipos (cf. Fl 4,15 - " Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma comunidade abriu comigo contas de deve-haver, senão vós somente.") Quando necessário ele sabia fazer a coleta e pedir dinheiro, não para sí, mas para os outros, os pobres de Jerusalém. Realizava, assim a partilha (cf. 1Cor 16,1-4 - "Quanto à coleta em benefício dos santos, segui também vós as diretrizes que eu tracei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas. Quando chegar, enviarei, com uma carta, os que tiverdes escolhido para levar a Jerusalém a vossa oferta. Se valer a pena que eu também vá, irão comigo.")..
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