Não era fácil combinar essas duas coisa. O cidadão romano tinha obrigação de participar do culto ao imperador, coisa que era absolutamente proibida aos judeus em nome de sua fé em Deus. Mas os judeus, ao longo dos séculos, conseguiram achar uma forma viável de convivência sem conflito.
Na maioria das cidades do Império, os judeus viviam organizados em associações chamadas Politeuma. Um politeuma era uma associação oficialmente reconhecida pela polis, isto é, pela autoridades da cidade. Um Politeuma possuía certa independência e gozava de certos privilégios. Seus membros registrados podiam fazer valer esse direitos. Os judeus, organizados em politeuma nas várias cidades do Império, lutaram por estes dois objectivos bem precisos: 1° - De um lado, queriam a plena integração de ses membros cidadãos; assim teriam direito aos privilégios dos "cidadãos da cidade", sobretudo com relação a isenção de taxas e dos impostos. 2º - Do outro queriam a plena liberdade para praticarem a própria religião; a liberdade religiosa que eles pleiteavam consistia no seguinte: não ser obrigado a trabalhar no sábado; ser isento de serviço militar; não participar do culto ao imperador; ter direito a seguir seus próprios costumes alimentares; pautar suas vidas conforme suas próprias leis. Desde o tempo de Julio Cesar, entre 47 e 44 a.C., os judeus foram favorecidos com esses privilégios como recompensa pelos serviços prestados ao Império. Por isso mesmo os judeus da Diáspora, contrariamente aos da Palestina, não tinham tanto problema de convivência com os romanos. Tinham até uma certa simpatia pelo Império e sua organização.
Em alguns lugares, os privilégios especiais dos judeus provocaram a animosidade da população local contra eles, sobretudo por causa dos seus costumes alimentares diferentes e por causa de sua religião, que não aceitava o culto ao Imperador e às divindades locais. Uma ou outra vez, surgiram alguns conflitos com o Império. Várias vezes, os judeus tentaram recorrer à autoridade romana contra os cristãos (cf. At. 13,8.50 - 8. Mas Élimas, o Mago - pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o pro cônsul.50. Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.).
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