30º- Paulo, porque você aprovou a morte de Estevão e perseguiu os Cristãos?
Paulo Procurava atingir a justiça através da observancia da lei (cf. Fl 3,5-6 "5. circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu;6. quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.") . A sua Vida e a vida do seu povo estavam organizadas e estruturadas, desde séculos, em torno das exigências da Aliança, o povo alcançaria a justiça, seria justo. Essa era a teoria, a doutrina ensinada ao povo. A prática, porém era outra.
Na prática, Paulo experimentava dolorosamente que ele, apesar de todo o seu esforço, não era capaz de cumprir tudo o que a lei mandava. O seu esforço não bastava para alcançar a justiça. Paulo continuava em falta com Deus e não alcançava a paz da consciencia. Queria fazer o bem e não conseguia (cf. Rm 7,14-24 "14. Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. 15. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. 16. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. 17. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. 18. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. 19. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. 20. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. 21. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. 22. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. 23. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. 24. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?.."). Mesmo assim apesar da prática deficiente, ninguém duvidava da exatidão da doutrina ensinada pelos fariseus.
O testemunho de Estevão, porém, abalou na raiz este mundo de Paulo e questionou radicalmente a exatidão do caminho que ele seguia para alcançar a justiça e a paz com Deus. Na hora de morrer apedrejado, Estevão disse: "Vejo os céus abertos e o Filho do Homem de pé a direita de Deus" (At 7,56). Nesse testemunho, Estevão dava prova de estar na presença de Deus e de ser acolhido por ele, tranquilo, em paz com a própria consciencia, e, portanto, de possuir a justiça que Paulo procurava e não alcançava. E mais: Estêvão possuía a justiça não como resultado da observancia da Lei, mas como um dom gratuito de Deus; o mesmo Jesus que, alguns anos atrás, tinha sido condenado como herético e blasfemo pela suprema autoridade dos judeus e morrera vergonhosamente numa cruz!
Este testemunho tão breve e tão simples era a negação radical do ideal de justiça de Paulo. Ou Estevão, ou Paulo! Os dois não podiam ser verdadeiros ao mesmo tempo. Eram dois caminhos totalmente diferente, dois mundos opostos ou um ou outro!
Paulo estava convencido de que seu caminho era o caminho certo. Para ele, o caminho de Estevão era falso e corruptor dos bons costumes. Por isso, aprovou a morte de Estevão e começou a perseguir os cristão. Agia por ignorância (Cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.')Pensava estar prestando um serviço a Deus em defesa da tradição dos pais. Mais no fundo, quem sabe, se Paulo procurava calar a voz de Estevão e dos Cristãos, era porque queria abafar a voz da própria consciencia que começava a incomoda-lo. Paulo estava fugindo de sí mesmo e de Deus, até que Deus interveio e o derrubou na estrada de Damasco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário