Paulo teve muitas tristezas e problemas na vida. Ele as enumera na Segunda Carta ao Corintios (cf. 2Cor 11,23-29 "23. São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto.24. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um.25. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo.26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!27. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!28. Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas!29. Quem é fraco, que eu não seja fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor?") Teve tristezas nas comunidades, sobretudo em Corinto. Mas a tristeza maior parece ter sido a recusa de seus irmãos, os judeus, de crer em Jesus e de aceita-lo como o messias prometido e esperado. A isso ele se refere quando diz: "tenho uma grande tristeza, uma dor incessante no coração" (Rm 9,2). Ele chega a dizer que gostaria de ser "separado de Cristo", se com isso pudesse ganhar os seus irmãos para Cristo(cf. Rm. 9,3). Estevão questionou Paulo e conseguiu leva-lo a conversão. Paulo, uma vez convertido, questionou os outros judeus, mas não conseguiu leva-los à conversão. Pelo contrário, provocou a raiva deles a ponto de ser perseguido por eles com ódio de morte, pois nãoo perdoavam de, como eles diziam, ter se levantado contra o povo, contra a lei e contra o templo (cf. At. 21,28; cf. tb. At. 9,23; 21,31; 23,12; 25,3).
Outro sofrimento muito grande de Paulo, vinha dos "falsos irmãos" (cf. 2Cor. 11,26 "26. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos!").ou "falsos apostolos" (cf. 2Cor. 11,13 "13. Esses tais são falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo"). Os "falsos irmãos" eram judeus convertidos que não concordavam com a abertura de Paulo com relação a entrada de pagãos na Igreja. Eles achavam que os pagãos, ao entrarem na comunidade, deviam obsevar toda a lei e praticar a circuncisão (cf. At 15,1-10"1. Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos. 2. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém. 3. Acompanhados (algum tempo) dos membros da comunidade, tomaram o caminho que atravessa a Fenícia e Samaria. Contaram a todos os irmãos a conversão dos gentios, o que causou a todos grande alegria. 4. Chegando a Jerusalém, foram recebidos pela comunidade, pelos apóstolos e anciãos, a quem contaram tudo o que Deus tinha feito com eles. 5. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. 6. Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão. 7. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.8. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. 9. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações. 10. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar.; Gl 6,12-13 "12. Os que vos obrigam à circuncisão são homens que se querem impor, só para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13. Pois nem os próprios circuncisos observam a lei. E se fazem questão de que vos mandeis circuncidar, é para terem motivo de se gloriarem na vossa carne.). Por isso, procuravam solapar a base do trabalho de Paulo, dizendo que a sua pregação não tinha a aprovação dos apóstolos (cf. Gl 2,1-10 "1. Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito comigo.2. E subi em conseqüência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente aos que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão. 3. Entretanto, nem sequer meu companheiro Tito, embora gentio, foi obrigado a circuncidar-se.4. Mas, por causa dos falsos irmãos, intrusos - que furtivamente se introduziram entre nós para espionar a liberdade de que gozávamos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar -, 5. fomos, por esta vez, condescendentes, para que o Evangelho permanecesse em sua integridade.6. Quanto aos que eram de autoridade - o que antes tenham sido não me importa, pois Deus não se deixa levar por consideração de pessoas -, estas autoridades, digo, nada me impuseram. 7. Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circuncisos a Pedro8. (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circuncisos, fez também de mim o dos pagãos).9. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo:10. iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados. Recomendaram-nos apenas que nos lembrássemos dos pobres, o que era precisamente a minha intenção.) Obrigaram Palo a fazer sua defesa (cf. 2Cor 11,12 "12. Mas o que faço, continuarei a fazer, para cortar pela raiz todo pretexto àqueles que procuram algum pretexto para se envaidecerem e se afirmarem iguais a nós.). Se Paulo se defende não é por causa dele mesmo, mas por causadas comunidades por ele fundadas.
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