31° - Como foi a entrada de Jesus e em sua vida? Qual o significado e o alcance que a experiência na estrada de Damasco teve para você?
A entrada de Jesus foi o divisor de águas. A vida de Paulo se divide em antes e depois da experiência na estrada de Damasco. Os fenômenos externos que acompanharam o processo interno da conversão e os termos e comparações usados para descreve-la sugerem que a entrada de Jesus na vida de Paulo não foi uma brisa leve e tranquila, mais uma tempestade violenta, repentina. Ela sacudiu tudo e atingiu as fundações da sua existência. Faz desmoronar todo um mundo, uma tradição antiga, montada desde séculos, e fez aparecer um novo começo.
Deus não lhe pediu licença. Entrou sem mais e jogou Paulo no chão (Cf. At. 9,4; "4. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" 22,17; "7. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?") Quando levantou estava cego, e cego ficou durante três dias (cf. At 9,8-9 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9. onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.").
Apesar de ser o guia do grupo, Paulo teve que ser guiado pelos próprios súditos (cf At 9,8 "8. Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco,"). Ele mesmo diz que o nascimento dele para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de maneira forçada e violenta através de um aborto (cf 1Cor 15,8 "8. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo.") Paulo não estava esperando fui "apanhado!" (Fl 3,12). Mesmo assim depois que tudo aconteceu, teve que reconhecer que era essa a sua vocação desde sempre. Foi para isso que Deus o havia separado e colocado à parte , desde o seio materno (cf. Gl 1,15 "15. Mas, quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça,"). Paulo o viveu como sendo seu destino a sua vocação, a sua missão. Uma quase fatalidade, da qual já não podia escapar: o seu destino passou a ser anunciar o Filho de Deus entre os pagãos (Cf. Gl 1,16 "16. para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios, imediatamente, sem consultar a ninguém".) Era uma necessidade para ele: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1Cor 9,16). Ao mesmo tempo, ele viveu aquela hora como um momento de misericórdia por parte de Deus. Deus o acolheu, quando ele mesmo era insolente e perseguidor (cf. 1Tm 1,13 "13. a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância.") Foi o momento que super abundou nele a graça de Deus (cf 1Tm. 1,14 "14. E a graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo."). Foi assim que Cristo o formou para o serviço (cf 1Tm 1,12 "12. Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério,").
Para Paulo, o viver era Cristo (cf. Fl 1,21 "21. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."). Já não era ele que vivia, mas Cristo nele (cf. Gl 2,20 "20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim."). Paulo sabia que era amado: "Ele amou e se entregou por mim!" (Gl 2,20). Daquele ponto em diante, ele já não queria saber de outra coisa a não ser Jesus crucificado (cf. 1Cor 2,2 "2. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.") Queria completar na sua própria carne o que faltava na Paixão de Cristo (cf. Cl 1,24 "24. Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.") Por amor a Jesus, largou tudo para poder possui-lo e ser encontrado nele (cf. Fl. 3,8-9 "8. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo
9. e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé.). Participou da Paixão de Cristo para poder experimentar a sua Ressurreição (cf Fl 3,10-11 "10. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte,11. com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos.) Trazia a agonia de Jesus no corpo, para que se manifestasse nele a vida (cf 2Cor 4,10-12; "10. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. 11. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. 12. Assim em nós opera a morte, e em vós a vida.; Gl 6,17 "17. De ora em diante ninguém me moleste, porque trago em meu corpo as marcas de Jesus."). Paulo vivia uma total identificação com Jesus morto e ressuscitado.
Por causa dessa experiencia de Cristo morto e ressuscitado, tudo mudou na vida de Paulo: de livre virou escravo, de honrado virou expulso, de rico virou pobre! Por causa do amor de Cristo suporta tudo e vive entregue, dia e noite (cf. 1Cor 13,4-6 "4. A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. 5. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. 6. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade."). Um novo critério invadiu sua vida: a graça libertadora de Deus tomou forma concreta em Jesus, "que amou e se entregou por mim" (Gl 2,20).
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